A atuação dos cambistas gera discussão na área jurídica e entre os torcedores. O vendedor de calçados Fabrício de Souza Vítor, 28, é contrário a atividade. Ele evita comprar ingresso fora da bilheteria. Na quinta-feira ele chegou ao Poliesportivo por volta das 15h30 e as entradas "oficiais" estavam esgotadas.
A opção era pagar um pouco mais caro, com os cambistas, mas ele não aceitou. "Estava viajando, cheguei de Jaú nesta madrugada e não consegui vir mais cedo. Cheguei aqui já tinha acabado. Agora é pagar mais caro e eu não pago", reclamou ele. Seu irmão, Fransérgio de Souza Vitor, também se negou a aceitar o ágio.
Os dois aproveitaram a entrevista para fazer uma sugestão. "Acho que a diretoria (do Franca Basquete) devia manter a bilheteria aberta até mais tarde ou ter uns ingressos para vender antes um pouco do horário do jogo", opinou Vitor.
Os cambistas, por outro lado, defendem seu "ganha pão". "Pode ver que tem gente comprando a todo momento e ninguém reclamou", declarou um deles. A reportagem do Comércio da Franca ficou em frente ao Poliesportivo durante uma hora e não presenciou reclamações diretas. "Quem acha caro, não compra", completou outro cambista, que pediu para não ter o nome revelado.
A Lei de Economia Popular, a de número 1.521/21, possui no seu artigo 2º, inciso IX, uma determinação que pode configurar a prática como crime. Há pena de detenção prevista de seis meses até dois anos. Contudo, não há regulamentação específica e por isso o assunto gera discussão. Desde 2005, o Ministério Público do Estado tenta criar uma repressão mais efetiva contra a atividade.
A reportagem tentou obter mais informações técnicas sobre o assunto, mas o promotor responsável pela titularidade na área do consumidor em Franca, Murilo César Lemos Jorge, não estava ontem na promotoria e o seu substituto preferiu não comentar.
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