Certa vez um senhor me disse que a melhor escola para o jovem é o trabalho. Disse sem desmerecer a escola que conhecemos, mas se referia às várias gerações – como a minha – que começaram a trabalhar cedo em busca do sustento e em ajuda nas despesas de casa. Eram gerações que não viviam desocupadas confabulando coisas erradas. O Estatuto da Criança e do Adolescente, tentando inibir a exploração do trabalho infantil, acabou freando que adolescentes fossem ao mercado de trabalho com o argumento de que são pessoas em desenvolvimento e que precisam se dedicar aos estudos. Não estou tentando, neste texto, fazer com que meu exemplo seja um paradigma, mas comecei a trabalhar com carteira assinada aos treze anos de idade, na extinta fábrica de calçados Palermo. Aos dezesseis fui para a Samello, conciliando estudos e trabalho. Hoje, como educador, vejo jovens desorientados e sem nenhuma perspectiva pedindo, do modo que podem, socorro a nós, adultos, para colocá-los nos trilhos em direção ao um futuro promissor.
Luís Alexandre Machado
Franca - SP
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