É uma época de novas propostas de vida. Algumas viram promessas, muitas são antigas, reeditadas e nunca cumpridas; outras são inéditas e carregadas de grande motivação. Me atraem as pequenas, mas realistas: “nesse ano vou perder dois quilos”, “vou me exercitar ao menos duas vezes por semana”. Causam desconfiança ou chacota as tradicionais, “vou entrar naquela antiga calça jeans”, “não entro mais no especial”, “beber, nunca mais”...
Na verdade, o que todos nós queremos é de alguma maneira viver melhor, o que muitas vezes significa ser melhor, inspiração que está cravada em nossos genes e permitiu nossa espécie chegar até aqui através de uma longa trajetória de adaptação e luta evolutiva. Agora, sermos melhores talvez seja a razão de estarmos aqui.
Nos dias de hoje muito se fala do homem que destrói, que aniquila, corrompe e mata, talvez por ser politicamente incorreto falar de um outro homem, vitorioso nessa longa história de milhões de anos, domando as adversidades, descobrindo os mistérios do nosso corpo e do mundo em todas as suas várias dimensões. Foi esquecido o homem solidário, que constrói, que descobre, que luta incansavelmente pelos seus direitos, igualdade social e preservação do meio ambiente.
Nesse contexto de superação contínua, seja da nossa espécie, seja de cada um de nós, uma grande ferramenta que se apresenta para a humanidade é o melhor conhecimento do seu cérebro, anunciado no meio científico como a próxima e definitiva fronteira. Uma fronteira cada vez mais perto de nós, graças aos avanços das Neurociências nas duas últimas décadas. Avançamos demais em neurogenética, neuroimagem funcional, neurofisiologia e, sobretudo, no entendimento das bases biológicas do comportamento e aprendizado humano, mas muito ainda esta por vir, e certamente virá, ou você duvida?
Com essa perspectiva, temos que rever “as regras do cérebro”, uma série de artigos baseados em evidências científicas de como o cérebro funciona, extraídas do excelente “Brain Rules” do biólogo molecular John Medina da Universidade de Washington, infelizmente ainda não traduzido para o Português (Pear Press, 2008).
Como e por que o exercício físico melhora a cognição? Por que uma rápida soneca após o almoço potencializa a memória? A atenção e as multitarefas dos dias atuais. Repetir para lembrar ou conhecer mais nossa memória de curta duração. Lembrar para repetir e a memória de longa duração. As diferenças dos cérebros masculino e feminino. Como a emoção e o estresse interferem no processo de aprendizagem. E muito mais... Acredite em você!
Marco Antônio Arruda
Neurologista da Infância e Adolescência e Doutor em Neurologia pela USP - arruda@institutoglia.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.