Cada vez me convenço mais: o novo acordo ortográfico da língua portuguesa é a maior asneira linguística (sem trema) do milênio. Em vez de unificar as línguas portuguesa e brasileira, confunde. Representa a galinha dos ovos de ouro para os editores fregueses do Ministério da Educação do Brasil.
Só tem desvantagens, cria problemas sem “descriar” nenhum dos já existentes e servirá apenas para infernizar a vida dos que tentam escrever decentemente. A língua portuguesa tem sofrido com tantas modificações. É um tal de tira acento; bota hífen; tira hífen; extingue o trema; tira as letras k,w,y; voltam a valer as letras k,w,y; haja conflitos na grafia das palavras! Apoiar não segue mais a regra diferencial do pôde e pode. Agora, eu apoio quem me dá apoio é tudo igual. Apóio acabou. Talvez por isso sejam poucas as pessoas que conseguem escrever corretamente a língua portuguesa. Não seria menos complicado adotar de vez o “ABC do Sertão”, tão divulgado pela voz de Luiz Gonzaga e sua famosa sanfona?
Vejo nesse acordo de unificação uma mistura de preciosismo formalista com avidez comercial. O velho formalismo que está presente em tudo ou quase tudo que acontece aqui na terrinha venceu de novo. Milhares de professores estão tendo que passar por reciclagens ou terão de fazê-lo nos próximos meses para ensinar o “novo” português; isso em um País que - como demonstram sistematicamente as provas de avaliação - não foi sequer capaz de ensinar aos alunos das escolas brasileiras as regras da “velha” ortografia, utilizada desde dezembro de 1971.
Prova disso são os resultados obtidos pelos alunos brasileiros nos testes internacionais que revelam uma nódoa deprimente: somos um País de analfabetos. Não me refiro ao analfabetismo absoluto, mas ao funcional. Alunos do ensino médio chegam às portas da idade adulta com deficiências na compreensão de texto e falhas em operações lógicas e matemáticas. Enquanto o governo, em plena crise mundial, alardeia esteios sólidos da economia, os pilares da educação esfarelam-se como castelos de areia. Dos milhões de estudantes brasileiros poucos concluem o secundário e, menos ainda, a universidade. Estamos nos tornando uma nação de idiotas.
O interesse comercial é óbvio: alguém já está ganhando dinheiro com isso. Não somos nós, como de hábito. Como a grafia terá de ser adaptada em até três anos, é inevitável que todos os dicionários e livros-texto sejam adaptados às novas regras e o MEC já anuncia que, a partir de 2010, suas compras de livros didáticos exigirão o respeito ao acordo. Centenas de milhões de livros já editados não poderão mais ser reaproveitados (ou re-aproveitados?) para não termos alunos da mesma geração escolar, escrevendo a língua oficial de mais de uma maneira.
Antes de ficar pensando em firulas, o Brasil precisa superar muita coisa, a exemplo de escravidão, destruição da Amazônia, massacre de crianças índias e miseráveis; famílias que moram nas ruas das grandes cidades; desemprego; fome; ignorância; miséria. O acordo deve ser prioritariamente social, isso sim.
EM BUSCA DA PAZ
O chanceler brasileiro Celso Amorim deslocou-se até o Oriente Médio para tentar um cessar-fogo na Faixa de Gaza. Na volta bem que poderia pacificar as favelas do Rio de Janeiro e, de quebra, dar uma voltinha em alguns bairros aqui de Franca – quem sabe no Jardim Aeroporto – onde covardes se juntam para espancar e matar idosos.
PRA REFLETIR
Recado para quem está ocupando cargo de chefia seja no serviço público ou na iniciativa privada: não trate mal os subordinados. Não apenas porque o mundo dá muitas voltas e o subalterno de hoje pode se transformar no superior de amanhã, mas, principalmente, porque todos, não importando a posição e a escala na pirâmide social merecem consideração e respeito.
DE LEVE
Frases de banqueiros que circulam pela internet: "se banqueiro fosse dono de borracharia, espalharia pregos nas ruas". Outra: "banqueiro e donos de sauna vivem à custa do suor alheio".
PERGUNTAR NÃO OFENDE
Alguém poderia me explicar qual a função de um adjunto de secretário?
NEGATIVO
Está cada vez maior o número de bares, churrascarias e restaurantes em Franca que insistem em vender apenas uma marca de chope, cerveja ou refrigerante. Ora, isso fere o sagrado direito de escolha de quem está comprando. É preciso reagir a mais esse abuso. Em geral o estabelecimento que nega opção ao consumidor e dá exclusividade a determinada marca, recebe benefício do fabricante ou distribuidor. Fujam dele!
POSITIVO
Usuários de telefonia fixa e móvel de Franca e região já podem trocar de operadora e manter os números atuais de seus telefones. Independente da operadora que escolhermos agora somos donos dos nossos números, tanto de telefonia fixa como de móvel. A medida vai acirrar a concorrência - que agora faz de tudo para convencer o cliente de que a idéia é boa - mas a verdade é que adoravam a fidelidade forçada existente até então. A expectativa é de que tenhamos redução dos custos da telefonia fixa e móvel no Brasil. Outra expectativa é de que ocorra melhoria na qualidade do atendimento.
DIAGNÓSTICO MÉDICO
No consultório, o médico pergunta à perua: “O que a senhora está sentindo?”
- “Ora... Não é o seu trabalho descobrir? Estou pagando...” - diz ela, com ar arrogante. Então o médico lhe pede que aguarde um instante e traz outro homem à sala: “Este aqui é o Dr. Ricardo. Só ele, que tem formação de veterinário, consegue fazer o diagnóstico sem falar com o paciente".
Edward de Souza
Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br
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