As pessoas que tiraram carteira de motorista no fim de 2008 têm ficado irritadas com a demora para a entrega do documento. Em Franca a espera chega a dois meses. Antes era de no máximo 15 dias. A alta procura pelo serviço em novembro e dezembro do ano passado está entre as causas do atraso. A Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) não acompanhou o boom no número de novos candidatos.
A delegacia protocola em média 700 carteiras por mês. Em novembro e dezembro o número passou para 1.200. Isso significa que nos dois últimos meses do ano foram solicitadas 2.400 unidades.
Assim, com base na quantidade média de habilitações emitidas pela Ciretran mensalmente, estima-se que 1.400 CNHs foram finalizadas e pelo menos outras mil estão “represadas” no local.
Oito auto-escolas foram consultadas pela reportagem. Todas alegam que a entrega está prejudicada pelo acúmulo de serviços por causa da greve da Polícia Civil, em meados de setembro, que teve adesão da Ciretran. Outros fatores seriam a adequação às novas regras para emissão da CNH - com mais exames e valor reajustado - e a reorganização da unidade.
Na auto-escola de Carlos Barros, os alunos têm esperado dois meses para ter a CNH em mãos. A demora também é registrada - em pior escala - nos casos de troca do documento, do antigo (sem foto) para o modelo atual. Neste caso, a espera chega a cinco meses. “Os alunos acham que é a auto-escola que está com problema. Tenho passado muito aperto com os clientes”, disse Carlos, que tem 15 alunos aguardando os documentos.
Em outra auto-escola francana, as habilitações têm levado o dobro do tempo médio para ficar prontas. O prazo atual é um mês. O atendente da empresa, Milton Júnior, disse que há problemas de organização na Ciretran. “No ano passado, após denúncias de falsificação de CNHs no País, a Ciretran passou a recolher as pastas dos alunos com documentos e comprovantes dos exames que antes permaneciam nas auto-escolas. Depois decidiu devolver essas pastas e muitos documentos se perderam. Agora temos de pedir segunda via, o que atrasa tudo”, afirmou.
Enquanto isso, os novos habilitados sofrem. O pedreiro Moisés Gonçalves, 18, está irritado com a falta de resposta sobre sua CNH para carro e moto. Ele concluiu os exames de saúde e provas em novembro. O atraso pode obrigá-lo a mudar os planos de sua lua-de-mel. “Vou me casar sexta-feira (amanhã) e queria viajar, mas sem a ‘carta’ não vai ter jeito. Estou desesperado”. A futura mulher dele tem 17 anos e não poderá resolver o problema.
ACÚMULO
O delegado da Ciretran de Franca Marcelo Caleiro disse que o aumento de candidatos para obter a primeira habilitação é comum nos fins de ano, mas em 2008 foi atípico. “Sempre há acúmulo de serviço, mas como haveria mudanças na legislação em janeiro muitas pessoas quiseram garantir o documento antes. O serviço aumentou e continuamos com o mesmo número de funcionários”.
A emissão das CNHs é feita por uma empresa de Ribeirão Preto terceirizada pelo Detran (Departamento Estadual de Trânsito) de São Paulo. “A procura cresceu em todas as Ciretrans, por isso, o serviço foi maior na empresa também, o que contribuiu para o maior tempo de espera”. Caleiro descarta relação do atraso com a greve. “Continuamos trabalhando internamente”.
Segundo ele, os prazos de entrega já estão se normalizando gradualmente e devem voltar a 15 dias. A única exceção é para alunos com CPF e RG de outro Estado, que terão seus documentos consultados em um distrito policial.
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