É interessante e até intrigante o resultado das liquidações processadas pelo comércio varejista em geral no início deste ano, não só em Franca, mas, espalhadas pelo mundo todo, o que me levou ao questionamento do modus operandi dos lojistas durante o ano todo.
O menor percentual de desconto que observei foi de 70%, o que me leva a crer que o que custava R$ 100 passou a custar R$ 30 e assim por diante. Antes somente funcionava com pagamento à vista, mas atualmente qualquer tipo de oferta o cliente leva. A euforia e os números apresentados em resultado a essas operações me conduzem a deduzir que obtiveram lucro mesmo considerando exagerado o desconto, já que milagre ninguém faz e Cristo não iria se preocupar em dar uma mãozinha porque o assunto não Lhe compete.
Muito bem. Se aconteceu um estouro nas vendas e não se registrou nenhuma manifestação de prejuízo é sinal de que o caminho certo é esse mesmo. Ou seja, tudo com bom preço, a altura do bolso do consumidor o tempo todo. Tudo parece muito simples, mas não posso me arvorar em dono da verdade até porque economia não é o meu forte. Sempre defendi a tese de que o preço menor é compensado pela quantidade maior que se vende. Vejam como exemplo os vários supermercados que encerraram atividades porque não se dispuseram a adequar os preços das mesmas mercadorias aos daqueles de maior poderio que por aqui se instalaram.
Quanto à liquidação em Gaza, penso que o desentendimento entre Israel e o grupo Hamas é de solução difícil, até porque o problema é bíblico, precede a Moisés. Quando ele conduziu seu povo para a terra prometida, no meio do percurso a coisa desandou e houve adoração a bezerros de ouro e outras barbaridades, ocasião em que Deus, por castigo, os condenou a uma eterna luta na busca da paz e por seu território. O que não consigo entender é que em Gaza, onde se instalou o Hamas – grupo que vem sendo combatido violentamente por Israel – recusa-se a conversar e a aceitar a possibilidade da paz. Parece certa a quase extinção do grupo a persistir o quadro, mesmo e apesar de sua resistência, consciência política e religiosa muito fortes.
Quando assisto aquela ferocidade, fico até com certa inveja da força e da convicção daquele povo, enfrentando armamentos israelitas de primeiro mundo com pequenos foguetes ou pedras que pouco ou nenhum estrago fazem, apesar do lado terrorista que ignomino. Não lhes importa a própria existência e a dos seus, cujas mortes lhes dão a glória dos mártires.
Por aqui, lá no Planalto Central, nas capitais e nos municípios, a corrupção avança a grandes passos. Os corruptos são eleitos, reeleitos e empossados e nós ficamos como velhas carpideiras, chorando e fofocando à boca pequena com nossos amigos. Porém, se chamados a falar ou agir em público negamos, como Pedro, e não por três vezes, mas por quantas se fizerem necessárias qualquer tipo de crítica ou de ação mais profunda ou contundente, que possa mudar essa purulenta situação.
Odorico Antônio Silva
Advogado
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