Dados do Banco Central divulgados na última semana mostram que 2007 foi o ano dos empréstimos em Franca. Foram mais de 810 milhões de operações de crédito que abrangem financiamentos (de casas, carros e máquinas) e empréstimos pessoais. O dinheiro colocado em circulação foi 44% superior ao de 2006. Não fosse a crise econômica que assolou os mercados internacionais, o ano passado poderia ter alcançado um resultado melhor que o de 2007.
Os números de 2008 ainda não foram fechados, mas até junho R$ 107 milhões tinham sido negociados, mais da metade do total concedido durante o ano anterior (R$ 190 milhões).
O aumento nas operações financeiras começou em 2005 e foi motivado pelos incentivos governamentais, que baratearam os juros e aumentaram o prazo para os financiamentos, e também pelo crescimento econômico experimentado pela cidade. Desde 2006, Franca tem sido a escolhida para sediar filiais de grandes redes de hipermercados e de concessionárias de veículos importados.
O aquecimento da economia ainda proporcionou a construção de dezenas de empreendimentos imobiliários. “Temos financiamentos em até 30 anos. Isso motiva a pessoa a procurar o empréstimo, pois ele cabe dentro do orçamento e é pago aos poucos, com prazo”, disse o gerente geral da Caixa Econômica Federal em Franca, Aguinaldo Peixoto Diniz.
Não há dados que indiquem o tipo de crédito mais procurado, mas, em bancos e financeiras, as linhas de crédito imobiliário e os empréstimos consignados (com desconto na folha de pagamento) são os que têm maior número de interessados. “Temos linhas de crédito imobiliário para todas as faixas salariais e a procura é bem expressiva”. Em 2007 a instituição liberou na cidade mais de R$ 33 milhões somente para financiamento da casa própria.
Na Auto Vargas Veículos a movimentação nos últimos dois anos não foi diferente. Um dos proprietários do estacionamento, Adilson Nogueira, disse que as vendas dispararam naquela época, pois uma das vantagens era a possibilidade de financiar 100% do veículo.
Atualmente o mesmo procedimento já não é possível, por conta da crise econômica mundial, desencadeada principalmente a partir de outubro de 2008, as exigências para a concessão de crédito aumentaram.
Em 2006 o presidente Lula chegou a pedir diversas vezes para que os bancos aumentassem o volume de crédito e reduzisse a cobrança de taxas, a intenção era a aquecer a economia. Gerente de banco aposentado e professor de Análises Financeiras e Econômicas da Unifran (Universidade de Franca), Donizeti Tridico, disse que o total de dinheiro ofertado para os francanos cresceu porque houve maior disponibilidade de recursos associado ao desejo de adquirir com facilidade mantido pelas pessoas.
“A população foi incentivada, fez as contas e viu que cabia no holerite, então era o momento de realizar aquele sonho de consumo”. Na opinião do professor, os longos prazos e a praticidade em adquirir o crédito também contribuíram para o crescimento, mas acabaram por endividar a população. “A economia sofreu um aquecimento, porém comprometeu o orçamento de muitas pessoas”.
EM 2008
Dados do Banco Central mostram que até junho do ano passado, o volume de crédito ofertado na cidade era mais da metade do total concedido durante todo o ano anterior.
A julgar pela avaliação de especialistas e profissionais da área, o ano passado deve manter o crescimento de 2007, apesar do baixo movimento em outubro e novembro provocado pelos reflexos da crise econômica mundial. Até ontem o BC não tinha o balanço anual de 2008. “Houve também uma desaceleração que deve afetar o ritmo de crescimento dos empréstimos e financiamentos”, disse Donizeti Tridico, gerente de banco aposentado.
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