Adjunto de que mesmo?


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Dentro de qualquer conjuntura, o adjunto tem pouca importância. É quase nulo, pode-se passar sem ele e quase ninguém vai sentir a sua falta. Mas, mesmo assim, muita gente acha pomposo ser adjunto de alguma coisa. Para entender tudo em detalhes sobre adjuntos, faz-se necessário recordar a análise sintática. Esse tópico praticamente foi abolido das aulas de Português. A moderna pedagogia oficial desabona o uso do raciocínio lógico no estudo da língua. Os especialistas apregoam tão somente a importância da interpretação e do ato de escrever. Nem se faz necessário saber ler. Estranho, não? A escola particular, ao contrário, preconiza o estudo sistemático da língua. Os principais exames vestibulares também cobram conhecimento de gramática. Do outro lado, a escola pública ultimamente segue uma diferente vertente para o ensino, até mesmo no sistema de aprovação. Quem já estudou a colocação das palavras em uma frase sabe perfeitamente da insignificância do adjunto adnominal ou adverbial. Entram no conjunto apenas para auxiliar, como se fossem uma espécie de assistentes. Por exemplo, em: “prefeito criou cargos”, sintaticamente, tudo está entendido. A lógica não falha: sujeito (prefeito) + predicado (verbo: criou) + complemento verbal (objeto direto: cargos). Não dá outra. Se o prefeito criou cargos só pode ser em comissão. Fosse outro tipo de função, ele enviaria antes o projeto à Câmara para votação. Depois de aprovado, dependeria de dispositivos legais e democráticos, na forma de concurso público, para contratar novos profissionais. Agora vêm os adjuntos, a lei permite e o recado permanece o mesmo: “o prefeito criou cargos para os apoiadores de campanha”. Retirando-se o sujeito, o predicado e o objeto direto, todas as outras palavras da frase anterior desempenham funções de adjuntos adnominais. Viu como o adjunto incha a folha de pagamento? Opa! Aumenta o tamanho da frase. A dúvida fica sempre em saber qual é o tipo real de adjunto. `Ad`, por si só, já é um prefixo que significa junto, próximo. Então adjunto seria o junto do junto. O junto, no caso, é aquele que detém o cargo máximo. Por sua vez, o adjunto ficará próximo ao titular, daquele que não pode sair. A gramática desenvolve o raciocínio. Talvez por isso ande tão relegada nos projetos pedagógicos da escola pública. Repetindo, a construção de uma frase está presa no tripé: sujeito, predicado e complemento verbal. Adjunto adnominal ou verbal representa um mero enfeite. Leia Graciliano Ramos. Sua literatura é de uma secura total. Dificilmente se encontra adjuntos nela. Mas análise social ou política tem de sobra. Auxiliar ninguém quer ser. Assistente, nem se fala. Que fiquem então os adjuntos. Na política, nada se perde, tudo se transforma em cargos e encargos. Antônio Araújo Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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