Em 1962, participamos de um movimento estudantil visando a criação em Franca de um curso de nível superior mantido pelo Estado de São Paulo. O resultado foi a instalação, em 1963, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Franca.
Em 1967, na qualidade de presidente do Diretório Acadêmico 21 de Setembro, promovemos uma semana de estudos à qual compareceu o ilustre Secretário de Planejamento do Estado, o Dr. Luís de Arrobas Martins. Aproveitando sua presença solicitamos empenho junto ao Governador Abreu Sodré para dotar a faculdade de um prédio próprio para seus quatro cursos que, até então, funcionavam precariamente na Escola Estadual Homero Alves. Ele prometeu e cumpriu. Já como Secretário da Fazenda, comprou o edifício do Colégio Nossa Senhora de Lourdes. Se bem me lembro, pagou quatrocentos mil cruzeiros.
No início dos anos 80, ocasião em que ocupávamos a vice-prefeitura de Franca, o Prof. Ibrahin Haddad nos procurou com o objetivo de se conseguir a doação de uma área suficientemente ampla e bem localizada para um novo campus da UNESP. O prefeito Maurício Sandoval Ribeiro negociou com a Fundação `Família Caetano Petraglia ` e a municipalidade doou aproximadamente 8 alqueires para que a UNESP pudesse implantá-lo.
Portanto, prezado leitor, a minha vida está indissoluvelmente ligada à da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Franca que se tornaria na UNESP. Ali me formei e trabalhei. Ali cresci.
Participei do seu nascimento e dos principais momentos de sua vida. Ao ser aposentado, chorei. Mas, espiritualmente, dela, nunca me afastei. E é por ter vivido e, às vezes confundido a minha própria vida com a da Instituição, que, ex `cathedra`, posso afirmar: sem o trabalho do Corrêa Neves, dificilmente a faculdade teria sido instalada em Franca!
Corrêa Neves, de fato, era o nosso deputado sem cadeira. Secretário de Imprensa de Adhemar de Barros e, muito mais do que isto, amigo pessoal e leal do governador ele, de imediato, percebeu a importância e a viabilidade da implantação de uma faculdade estadual em Franca. Para tanto lutou junto ao Secretário da Educação, padre Januário Baleeiro e especialmente junto ao Governador Adhemar e a faculdade foi instalada em 1963.
Daí para a frente, caberia ao Dr. Alfredo Palermo, seu primeiro diretor, a tarefa de manter a instituição que não era vista com bons olhos pelas autoridades educacionais sucessoras do governo de Adhemar de Barros.
A designação de "Jornalista Corrêa Neves" ao novo campus da UNESP não se enquadra na categoria daquelas homenagens gratuitas ou bajulatórias. Na verdade, é muito mais do que homenagem: é um ato de reconhecimento a quem teve um papel decisivo e fundamental na criação do primeiro curso superior estadual em nossa cidade.
As minhas relações de amizade com o Corrêa, embora antigas, nem sempre foram pacíficas. A política nos afastou algumas vezes. Num desses hiatos, ele publicou em seu jornal uma ampla matéria sobre o Museu Histórico, ressaltando o trabalho de meu pai na fundação, organização e manutenção daquela entidade. Tive de telefonar para agradecer-lhe. Corrêa, ao atender-me, disse:
`Não há o que agradecer. Gratidão é gratidão e o povo desta cidade, através do jornal, reconhece e respeita a obra de seu pai`.
Pois é isto, meus prezados Júnior, André e Sônia. Gratidão é gratidão. O povo da Franca, por seu deputado Gilson de Sousa, reconheceu, reconhece e reconhecerá sempre a atuação de José Corrêa Neves na implantação da Faculdade de Filosofia, núcleo original da UNESP em nossa cidade. Nós sabemos e reconhecemos.
Nós vivemos e estamos aqui para testemunhar. A louvação é merecida. A homenagem é justa e verdadeira. E que o campus da UNESP, em Franca, continue se chamando "Jornalista Corrêa Neves".
Chiachiri Filho
Historiador, criador e diretor por 8 anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras
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