Franca foi destaque durante a abertura da 36ª Couromoda (Feira Internacional de Calçados, Artigos Esportivos e Artefatos de Couro), ontem, na capital. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador José Serra (PSDB) visitaram o estande coletivo das micro e pequenas empresas da cidade, elogiaram o sapato fabricado em Franca, citaram a cidade em seus discursos e brincaram com um calçado fabricado por uma empresa francana.
Durante seus discursos, presidente e governador também trataram de citar nomes dos seus companheiros de partido da cidade. Serra cumprimentou oficialmente apenas o prefeito Sidnei Rocha (PSDB), estendendo o cumprimento aos demais prefeitos de pólos calçadistas. Já Lula não citou o nome do prefeito, mas sim do sindicalista e vereador Paulo Afonso Ribeiro (PT) que ficou lisonjeado. “Não pensei que ele fosse dizer meu nome”, disse o sindicalista.
Apesar de não anunciarem nenhuma medida econômica que ajude os calçadistas a enfrentarem a crise, Lula e Serra demonstraram otimismo e uma crença de reviravolta no setor. Para o governador, a desvalorização do dólar implicará na reconquista de mercados que antes foram deixados de lado. “O processo nunca é instantâneo, mas que vai ter efeito positivo neste setor (calçadista) vai”.
Além do aparente otimismo, Lula aconselhou os empresários a enfrentarem a crise com criatividade. “Vamos fazer as coisas acontecerem neste primeiro semestre”, disse Lula repetindo a teoria de Serra. “Com o câmbio ajustado vai depender do calçadista conquistar o mercado. Temos que construir em 2009. Não vai faltar dinheiro para investimento”, acrescentou o presidente, sem revelar que investimentos seriam estes.
Tanto Lula quanto Serra estavam em um dia de ótimo humor. O presidente chegou à feira por volta das 10h15. Sob um forte esquema de segurança, percorreu os corredores do Anhembi. Foi acompanhado por ministros, senadores e poucos profissionais da imprensa - apenas cinegrafistas e fotógrafos. Visitou quatro estandes de fábricas nacionais e, ao se dirigir para o auditório onde aconteceria a cerimônia de abertura, Lula passou pelo estande coletivo de Franca onde 37 fábricas expõem seus produtos. Parou em um deles e pegou de surpresa o representante comercial da Stefanello Calçados, José Veber.
A empresa, que tem apenas 60 funcionários e produz 600 pares por dia, ficou sob os holofotes da imprensa de todo o País. Lula estava acompanhado de Serra, da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef; do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e do prefeito de Franca, Sidnei Rocha. Sem pressa, conversou com o representante comercial, perguntou o preço do sapato, elogiou e, brincando, ameaçou jogar um pé de sapato nos jornalistas.
A brincadeira foi sugerida pelo próprio representante comercial quando Serra perguntou qual era o marketing da empresa. “Respondi que não tinha e que pensei em jogar o sapato no presidente. O Lula ouviu e fez a brincadeira com os jornalistas”, disse Veber. Em poucos instantes, a imagem - que lembrava a cena em que o presidente dos Estados Unidos George W. Bush quase levou uma sapatada do jornalista iraquiano Muntazer al Zaidi -, ganhou repercussão nacional e estava estampada em praticamente todos os sites de notícias.
SAPATO DE FRANCA
Outro momento em que o sapato de Franca ganhou espaço na Couromoda foi durante a solenidade de abertura. Lula ganhou dois pares: um italiano e um francano. O calçado de Franca era idêntico ao da Itália. O operário da indústria Cléber Augusto foi quem entregou o presente. O sapateiro também presenteou Lula com uma miniatura de calçado que ele próprio fabrica. Para Sidnei Rocha tantos episódios em um só dia mostraram que a segunda-feira foi o momento de Franca. “Nessa Couromoda tivemos um destaque muito grande. Brinquei com amigos do Rio Grande do Sul que há quatro anos prometi que iria apagá-los na feira deles e consegui.
Em brincadeira, claro. Mas para ressaltar exatamente o tanto que Franca foi divulgada. Franca precisa aprender a se valorizar mais”.
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