Brucy Brailer, assim mesmo, com nome e sobrenome, é um pit bull de sete meses. Conheceu seu novo lar quando tinha apenas 30 dias. Brucy leva uma vida de rei. Quando era pequeno dormia numa caixa com um travesseiro só para ele, na sala. Só não ficava no quarto porque a dona não permitia. Hoje mora numa edícula de quatro cômodos no Parque São Jorge. Brucy se sente o dono do “pedaço”. No dia da entrevista, não pôde ser fotografado dentro de sua casa, pois ele fica irritado quando recebe visitas lá.
O luxo não pára por aí. Seu dono, o garçom Isaías Oliveira, 30, é praticamente um pai para o cachorro. E ele próprio reconhece isso. “Minha relação com o Brucy é 100%. Só amor e carinho. Eu o trato como se fosse meu filho. Dou de tudo que precisa. Se for para tirar da minha boca para dar para ele, eu tiro”.
Isaías se refere ao cão como “meu bebê” e “minha vida”. Como uma criança, o animal tem horários para comer, dia certo para tomar banho, xampu próprio, passeios diários - inclusive de madrugada - mimos como bolachas e biscoito e muito carinho. Numa noite, quando estava com quatro meses, o cachorro latia muito porque tinha gatos em cima do telhado.
Isaías resolveu lhe fazer companhia e passou a madrugada ao seu lado, dormindo numa cadeira colocada no quintal. “Ele me acorda latindo às 9 horas, quando eu me levanto para dar a primeira refeição do dia. Das 10 às 11 horas, passeio com ele. Às 15 horas trato novamente. Minha mulher alimenta o Bruce às 20 horas e, de vez em quando, chego do serviço e ainda passeio com ele durante a madrugada”. O garçom costuma trabalhar até as três horas da manhã.
Isaías gasta cerca de R$ 150 por mês com o pit bull. Casado há apenas cinco meses, enfrenta de maneira descontraída o ciúme que sua mulher tem de Brucy Brailer. “O ciúme dela é meio bobo. Ela tem ciúme porque eu chego do serviço e vou ver o cachorro primeiro. Só que eu acho que isso é normal para quem gosta de animal. Se eu chegar, abrir o portão e não for lá, ele não dorme. Começa a latir e não pára”.
No Orkut dele, o álbum de Brucy tinha 30 fotos e o da mulher, cinco. Depois de vários pedidos dela, Isaías mudou, mas o cachorro ainda ganha. Hoje tem 21 dele e 20 dela. Francielle Lamunier, 22, mulher dele, brinca com a situação. “Ele é uma coisa com esse cachorro. É Deus no céu e o cachorro na Terra. Eu gosto do Bruce também, mas meu marido prefere o cachorro a qualquer outra coisa”.
O garçom não acha um exagero manter uma casa de quatro cômodos para o animal de estimação. “Não é loucura. Loucura é criar cobras. Se alugar a casa, o Brucy não tem onde ficar”.
A estudante Laila Okubo de Matos, 13, é outra apaixonada por animais. Ela cria o poodle Yugui de 6 anos, e peixes. A vontade dela é ter um minizoológico em sua casa. “Quero criar um pouco de cada espécie. Periquitos e até cavalos”. A “coleção” está um pouco maior desde a semana passada. Ela ganhou de sua mãe um casal de hamster chinês. “Eu já tive hamsters, mas eles morreram. Agora ganhei os dois”.
Como Laila, o jovem Renan de Paula, 21, também possui um cachorro, o vira-latas Stalone de 7 anos e peixes. Mas no lugar dos hamsters que a menina tem, ele cria outro tipo de roedor. É a chinchila Madona, que está com três anos e vive com Renan desde os seis meses. “Desde pequeno sou apaixonado por bichos. A chinchila é um animal diferente, exótico e lindo. A Madona é dócil”, disse ele, que é biólogo. As chinchilas são compradas por preços que variam de R$ 120 a R$ 1.200. Em Franca, outros jovens optam por ter espécies exóticas, inclusive cobras (leia na página).
A psicóloga Lívia Coleto disse que a criação de um animal de estimação favorece o relacionamento afetivo dos donos. “É importante para a pessoa aprender a estabelecer vínculos, cumprir compromissos e adquirir responsabilidade e confiança”. A relação só se torna prejudicial quando há dedicação exagerada aos bichos. “O convívio com o animal não pode substituir uma relação humana”.
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