Entender o conflito atual e histórico no Oriente Médio e principalmente entre palestinos e judeus, não é uma tarefa fácil. Existem “detalhes” que nem sempre são narrados apropriadamente. Para entender deve-se olhar para a política recente desenvolvida naquele lado do mundo, mas que repousa em raízes históricas e religiosas.
Resumidamente, o objetivo maior do ataque israelense à Faixa de Gaza é abalar o poder que o Hamas implantou naquela área desde que de lá expulsou em 2007 e após intensos conflitos a Autoridade Palestina, comandada pelo Fatah. A diferença entre essas duas tendências da política palestina é que o Fatah representa o nacionalismo árabe mais histórico e arraigado à tradição, enquanto o Hamas é um movimento de caráter religioso sunita. O Sunismo professa a crença de que são os legítimos seguidores da sunna (prática) do profeta Maomé.
A Faixa de Gaza, desde a expulsão da Autoridade Palestina, tem sido alvo de intenso bloqueio econômico por parte dos Estados Unidos e da Comunidade Européia. É uma região pobre com 45% da população desempregada e detentora de uma das maiores taxas de crescimento demográfico no mundo. Portanto, um celeiro de problemas e pré-disposta ao conflito e ao discurso, muito forte, a favor da destruição de Israel.
Após o conflito de 2007 Israel fechou a fronteira com Gaza e o Egito fez o mesmo, porque acredita que o Hamas tem ligação com a Irmandade Muçulmana que é um movimento de oposição e que o Egito reprime. Assim, o objetivo de Israel é, realmente, enfraquecer o Hamas e isso interessa enormemente ao Egito.
Nesse cenário político, não podemos esquecer a mão toda poderosa dos neoconservadores (neocons) norte americanos. Esses mandatários da política do Tio Sam, infiltrados no Partido Republicano, defendem a tese de que cabe aos Estados Unidos “fazer” a democracia acontecer em todo o mundo. Para o país, a “democracia mundo afora” está diretamente ligada aos seus interesses econômicos. Israel tem a função de defender esses (e outros) interesses no Oriente Médio.
No Jornal inglês The Guardian (www.guardian.co.uk), Av Shlaim, professor de Relações Internacionais na Universidade de Oxford, escreve: “No final dos anos 80, Israel tinha apoiado o nascente Hamas para enfraquecer a Fatah, o movimento nacionalista secular liderado por Yasser Arafat. Agora, Israel começou a encorajar os líderes corruptos do Fatah para derrubar seus rivais políticos religiosos e recapturar o poder. Os agressivos neoconservadores americanos participaram do plano sinistro para instigar uma guerra civil palestina.
A interferência deles foi um fator-chave para o colapso do governo de unidade nacional e para o Hamas tomar o poder em junho de 2007, se antecipando a um golpe do Fatah... O objetivo não declarado é garantir que os palestinos em Gaza sejam vistos simplesmente como um problema humanitário e assim enfraquecer a luta por independência e um Estado”.
Há muito material disponível sobre esse tema. Mais do que um conflito isolado, ele representa hoje a canalização de todas as diferenças históricas (políticas e religiosas) da humanidade. É necessário acompanhar atentamente.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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