Sem alternativas, demitidos decidem trabalhar em casa


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MÃO NA MASSA - Janaína Lima produz pães em sua casa: ela fez o curso de panificação e lucra com isso
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Com dificuldades de voltar ao mercado de trabalho ou sem capacitação, o número de francanos sem emprego formal que tem procurado alternativas para garantir o sustento da família trabalhando em casa aumentou. Como reflexo, o interesse por cursos de geração de renda cresceu em pelo menos cinco entidades de Franca. Desde o fim do ano passado, a equipe do Fundo Social de Solidariedade registra alta procura pelos cursos que oferece. Entre três e cinco ligações por dia são de pessoas em busca de informações sobre as oficinas. Antes as consultas eram só quando as inscrições abriam. A maioria dos telefonemas é das donas de casa e desempregadas. “São pessoas que querem aprender algo e trabalhar em casa para acudir a vida financeira”, disse Ana Marta Silva, gerente de serviço do Fundo. Oneide dos Santos, professora de panificação há seis anos, precisou criar novas turmas desde o segundo semestre do ano passado para atender toda a demanda. “Eu trabalhava com uma turma por semana, mas tive de aumentar para quatro”. Ela dá aulas em escolas, sindicatos e outras entidades. No Sesi não é diferente. O local oferece oficinas de corte e costura, pintura e culinária. Sem citar números, a gerente administrativa Eliana Cadima disse que a procura aumentou e há fila de espera em todos os cursos. “Desde julho de 2008 a demanda está maior. As pessoas querem aprender e trabalhar na área, vendendo em casa”. Segundo ela, o perfil dos participantes também está mudando. “Há mais homens. Antes eles quase não se matriculavam. Agora as turmas de 15 alunos têm entre dois e três participantes do sexo masculino”. Como no Sesi e Fundo Social, as pessoas inscritas no Ateliê da Família, que também oferece cursos de geração de renda, pretendem encontrar novas alternativas de ganhar dinheiro. A assistente social Lucinéia Coelho acredita que 70% dos alunos querem investir na produção de bordados, pintura, bonecas e alimentos para vender em casa. O público predominante é formado por mulheres, entre 35 e 40 anos, casadas e com filhos. É o caso da pespontadeira Noêmia Carvalho, 39, que há dois anos fez os cursos de panificação e de bolos oferecidos pelo Fundo Social. Na época, ela vendia bolos apenas para familiares e quis aperfeiçoar a produção para buscar outros clientes. “Depois que aprendi mais coisas, senti mais confiança e comecei a vender para fora. Estou começando, mas com o pouco que faço já tenho um bom lucro, cerca de R$ 320 por mês”, disse ela, que ajuda o marido e o filho no sustento da casa.

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