O jornalista Corrêa Neves, falecido em agosto de 2005, deveria estar sendo homenageado nesta sexta-feira com a denominação do novo campus da Unesp, inaugurado hoje. A família, em comunicado oficial assinado pelo filho e diretor-responsável do jornal Comércio da Franca, Corrêa Neves Júnior, antecipou à inauguração do complexo, nota oficial onde se mostra entristecida pelo tratamento que foi dado à Lei Estadual 11.912, de 24 de março de 2005, sancionada pelo então governador Geraldo Alckmin. A proposta aprovada pela Assembléia Legislativa, de autoria do deputado francano Gilson de Souza, denomina o novo campus de ‘jornalista Corrêa Neves’.
Como mostra o comunicado, 1.385 dias depois nada se fez para que a denominação do campus fosse destacada em seus documentos e visualmente em sua fachada. Pelo desprezo com que a lei foi tratada e pelo desrespeito a um dos cidadãos que mais amaram esta terra, decidiu a família solicitar a retirada do nome do campus dos documentos oficiais.
Como sempre a família toma posições firmes, corajosas. Posições baseadas no mais restrito bom senso, como Corrêa Neves sempre pregou. Não haveria melhor resposta ao desrespeito de que foi vítima o jornalista, mas principalmente à sua esposa, filhos e neta. Acredito até que, pelo legado que deixou o homem público, o político, o jornalista, o empresário, o chefe de família e o cidadão Corrêa Neves, sua família entendeu que ele realmente está acima de mesquinharias políticas.
Sim. É fácil identificar o jeito rasteiro de agir em determinadas situações. No caso da resolução da Curva da Morte, conseguida pelo mesmo deputado Gilson de Souza e pelo prefeito Hugo Lourenço, de Rifaina, alguns políticos também querem, depois de não terem movido sequer uma palha, usufruir dos louros da conquista. Neste objetivo, se expõem ridiculamente, tratando as pessoas como meras imbecis, incapazes de reconhecer a verdade dos fatos.
No caso do campus da Unesp, a mesquinhez motivada por posições indisfarçadas do jornalista Corrêa Neves acabou forçando, via bastidores, os dirigentes da Unesp a ignorarem a iniciativa do deputado Gilson de Souza, a decisão do governador Alckmin e a própria história daquele que seria homenageado.
A inauguração deixará caminho livre para alguns mostrarem sua verdadeira índole política. Que assim seja feito se assim se sentem realizados. Corrêa Neves não precisa disso para ser reconhecido.
Corrêa Neves construiu, momento a momento, sua rica história de vida e de sucesso. O filho de Itirapuã se transformou num homem amante da política. Atuou nos bastidores do poder como se fosse um deputado sem mandato com inúmeras e históricas conquistas para Franca e região. Foi além, muito além de muitos que sobrevivem de suas próprias mesquinharias em caminhos tortuosos da política, figuras bem conhecidas da política que subsistem calcados em enganações, falácias, e pouca, muito pouca produtividade.
O comunicado da Família Corrêa Neves não é um desabafo. É apenas mais um momento de lucidez, firmeza e amor à verdade que o mestre deixou como legado aos seus e aos que com ele labutaram. Corrêa Neves foi um dos maiores cidadãos desta terra. Foi, inclusive, o responsável pela criação da Faculdade de Filosofia embrião do campus que ora se inaugura. O orgulho pelo seu legado - no campo educacional e social - como pincelou o comunicado familiar - é bem maior do que pessoas e instituições, personagens neste episódio que entristece nossa história. Sem dúvida, o mestre jornalista estava muito acima disso. Deixou um legado bem maior que imensidões de concreto. E de ingratidões que brotam de corações de ingratos.
Hélio Rodrigues Ribeiro
Jornalista e radialista
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