Manaus e o desenvolvimento


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Manaus é uma terra de energia e grandeza. As culturas desta cidade são diversas e exuberantes; a natureza ao seu redor, em meio à floresta amazônica, é frondosa e magnificente. Ao contrário do que esperava, encontrei uma urbe grande e moderna: extensa, quase dois milhões de habitantes e número crescente de edifícios altos e condomínios de luxo, como no bairro da Ponta Negra. Prosperam algumas regiões, porém, ao mesmo tempo em que outras se deterioram, como a zona Leste. Manaus provocou-me dois sentimentos inconciliáveis: encanto e comoção. Problemas parecidos com os de outras cidades grandes do País: delinqüência, mendicância, congestionamentos automotivos, acúmulo de lixo na área central, sobreposição das culturas de elite e separatismo de classes. Até se convence de que Manaus tem comparativamente índices mais baixos de violência porque o infrator, segundo um taxista, não teria para onde fugir devido ao isolamento da cidade, cujo acesso majoritário é por via aérea ou pelo rio Negro. As rodovias são escassas o que justifica a rodoviária pequena, e ao redor é selva. Esta cidade, no entanto, possui vôos diretos aos Estados Unidos, país do qual recebe grande quantidade de turistas ávidos para conhecer a Amazônia; o governo do estado investe fortemente em propaganda de integração de seu povo através do slogan de que é um orgulho ser amazonense; e o que mais integra esta região ao restante da federação são os meios de comunicação, sobretudo os programas da rede Globo, que, a meu ver com o Rio-centrismo desta emissora, mais anulam as particularidades do que as promovem. Ainda sobre a questão da semelhança de Manaus com outras cidades brasileiras, a idéia que me surge é a de povoamento em função de atividade econômica. O auge do ciclo da borracha (entre 1850 e 1910) ensejou um processo de expansão, atração de mão-de-obra de outros estados e configuração de uma oligarquia que se formou a partir da figura do ‘barão’ e de outros imigrantes europeus. Construíram-se em função disso o Palácio Rio Negro e o Teatro Amazonas. Na segunda metade do século XX, formou-se um dos maiores centros industriais do País com a Zona Franca de Manaus. Como de costume, buscou-se mão-de-obra barata e atraiu-se contingente de outros estados, mormente das regiões Norte e Nordeste. Engoli, contudo, dois sapos. Um é o de entender Manaus como o interesse de um pequeno grupo em precarizar o trabalho do povo brasileiro para remunerá-la cada vez menos desde a expansão industrial. Outro é a minha dúvida da viabilidade de promover o crescimento industrial no meio da selva quando a ênfase deveria ser a proteção ambiental. A sujeira dos portos e a expansão periférica da cidade com moradias e fazendas são alguns dos meus argumentos. Em outras palavras, não sou a favor de um distrito industrial nesta cidade porque a depredação ao redor se torna inevitável. Escrevi este texto sobre papel reciclado de caixa de presente. A ocasião era propícia para fazer-me refletir. Roguei, neste ínterim, que o futuro de Manaus acompanhe o desenvolvimento sustentável e demonstre que outro modelo é possível. Bruno Peron Loureiro Bacharel em Relações Internacionais - UNESP (Universidade Estadual Paulista)

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