Uma legião de francanos voltou este mês à dura rotina da procura por emprego. São trabalhadores temporários contratados pelo comércio e indústria no último trimestre de 2008 que não tiveram seus vínculos renovados. Foram 1.387 admissões com tempo estipulado em face a, até agora, 887 desligamentos.
Um levantamento informal feito pelo Comércio junto a 47 empresas revelou que os 500 ainda empregados - ou 36% do total - continuarão em suas funções por pelo menos mais dois meses. O volume de contratações e dispensas do ano passado seria semelhante ao de 2007 e considerado normal pela maioria dos empresários consultados pela reportagem.
Entre as empresas ouvidas estão 44 lojas, uma fábrica de calçados e duas agências de emprego. Para Milton de Paulo Martins, gerente da Agiliza, o volume de demissões de temporários não surpreende. “As indústrias calçadistas mantêm a tradição de demitir em dezembro e recontratar no começo do ano. Já nas lojas o quadro de funcionários varia de acordo com o real movimento nas ruas”, disse.
A vendedora Joice Cristina Brunato está esperançosa. A extensão de seu contrato de trabalho por mais 60 dias está praticamente acertada. Ela entrou junto com outras três funcionárias para trabalhar somente no mês de dezembro em uma unidade das Lojas Baratão e aposta na melhora das vendas no mês de março para garantir o emprego definitivamente. “Tenho uma filha de seis anos e minha mãe é doente, não pode trabalhar. Minha família depende da minha renda”, contou.
A Monalisa Calçados contratou 18 temporários para suas 9 lojas. De acordo com Giuliano Gavioli Dejavit, supervisor do grupo, apenas quatro novos funcionários permaneceram depois do Natal. “Vamos testá-los por mais 30 dias. Se o movimento melhorar para o Carnaval poderemos reavaliar a situação (contratá-los)”, afirmou.
A Tenny Wee contratou 250 pessoas em setembro. Nenhum continua na empresa. “Eles foram contratados especificamente para trabalhar no atendimento à demanda da produção para o fim do ano”, afirmou o gerente de RH Israel Dener Gomes.
SEM NÚMEROS
Não há dados oficiais sobre a movimentação total dos temporários na cidade. Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Franca), Sindicato dos Empregados no Comércio e Ministério do Trabalho foram consultados, mas não tinham os números para fornecer.
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