Família pede retirada do nome de Corrêa Neves do campus


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A família Corrêa Neves pediu ao governo do Estado que retire o nome do jornalista Corrêa Neves do campus da Unesp de Franca. Uma mensagem, que explica os motivos da iniciativa, foi publicada na capa da edição de ontem do jornal Comércio da Franca e hoje está na página A-3. “A decisão, dolorosa, é resultado de demorada e penosa reflexão”, diz trecho da mensagem. Para a família, a iniciativa do deputado Gilson de Souza em homenagear o jornalista com o nome do campus reparava um injustiça histórica. “Foi graças ao trabalho de Corrêa Neves que a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras foi instalada em Franca em 1963”. Corrêa Neves Júnior, jornalista e diretor-executivo do GCN, reforçou que a falta de interesse de professores e alunos em conhecer o processo de instalação da faculdade em Franca é motivo de lamento. “O campus é o triste reflexo do que a própria Unesp vem se convertendo para a comunidade. Tem pouca produção acadêmica voltada para os interesses da cidade e mantém o conhecimento apenas no âmbito ‘intramuros’. A universidade tem em seu universo alguns professores que pouco ou nada acrescentam à comunidade. Nesse contexto, ela pouco valoriza os que são daqui e deram contribuições efetivas para que a universidade existisse”. Sônia Machiavelli, presidente do Conselho de Administração do GCN, é ainda mais dura quando o assunto é o elo entre comunidade e faculdade. “Não é porque exibem títulos que alguns doutores podem se eximir do adjetivo ignorantes. São ignorantes no sentido etimológico e mais profundo do termo que é o de ignorar a história do próprio campus onde atuam. Talvez esta ignorância explique os frágeis vínculos da Unesp com a comunidade francana. É voz corrente que nos últimos tempos a primeira pouco tem produzido para a segunda, em meio a teses encadernadas e arquivadas. Se tais historiadores mantivessem vínculos verdadeiros com o povo francano, não ignorariam a história do homem público Corrêa Neves, que se empenhou durante a maior parte de sua vida para trazer a Franca os benefícios dos quais a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras foi apenas mais um item na lista”. Sônia ressalta que o legado do jornalista vai além da Unesp. “Há estradas, escolas, creches, prontos-socorros, viaturas, décadas de serviços prestados a Franca e região. O patrimônio que permanece na memória da população é imensurável e isso eles nunca vão conseguir apagar. Incoerentes diante do pretenso saber histórico que acreditam professar, tentam deletar um pedaço de história, esquecidos de que isto é impossível. Diante da minha tristeza encontro consolo lembrando que a falta de reconhecimento de um pequeno segmento jamais excluirá o mérito de um homem como Corrêa Neves”. Para Sônia Machiavelli, o que Corrêa Neves fez para a população de Franca é indestrutível e que ninguém conseguirá apagar essa memória com “um ato de extrema injustiça”. “Com arbítrio inconcebível a quem se quer historiador e deveria saber que negar o passado é absurdo e ilusório: podem jogá-lo pela janela, ele voltará imediatamente pela porta”.

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