Em setembro de 2007 a manicure Alessandra Rosa fazia a unha de uma cliente quando ouviu um barulho na entrada de sua casa. Ao olhar, se deparou com um buraco no muro, tijolos espalhados no chão e um carro “dentro” da parede. O motorista quase atropelou uma mulher com uma criança na calçada. Ela escapou porque correu.
O muro precisou ser reconstruído. O acidente aconteceu na Avenida Santa Cruz, próximo ao cruzamento com a Rua Arnaldo Ricardo Souza. O motorista estava em alta velocidade e ao tentar desviar de outro carro, perdeu o controle e avançou sobre o muro. Alessandra morou no imóvel durante um ano. Ela presenciou seis acidentes nos 12 meses que residiu lá. Hoje ela mora na avenida, mas distante do cruzamento.
Como ela, moradores de pelo menos outros três pontos sofrem com os riscos nos cruzamentos perto de suas casas ou locais de trabalho. Preocupados, eles reivindicam à Prefeitura instalação de semáforos ou lombadas para evitar novas vítimas. O município promete estudar a situação nos pontos visitados pelo Comércio.
Movimentada, a esquina das Ruas Simpliciano Pombo e Padre Conrado, na Vila Santos Dumont tem sido alvo de reclamações. O comerciante Jean Carlos Crispim, 33, trabalha numa floricultura localizada bem no cruzamento das ruas e já presenciou vários acidentes. O mais recente aconteceu no último sábado, 3. Um vectra bateu numa moto. O motociclista machucou o joelho. “Sempre ouvimos freadas aqui. Teve uma vez que uma mulher bateu a moto e quase veio parar dentro da loja. Ela se machucou tanto que um pedaço da perna dela ficou grudado no carro”, disse. Ele estima que ocorra pelo menos uma colisão por semana naquele trecho.
Em outro endereço, o motorista aposentado Atair dos Santos, 66, também é testemunha de acidentes de trânsito. Morador do Bairro Cidade Nova há 30 anos, ele disse que sempre presencia batidas no cruzamento das Ruas Major Mendonça e José Marques Garcia, onde mora atualmente. Na esquina das vias, o muro de uma casa, onde Atair já morou, caiu duas vezes após a batida de automóveis. “Tem hora que você está almoçando ou levantando da cama e escuta aquele barulho que parece que está tudo caindo. Pode sair na rua que é acidente. Isso ocorre direto”.
Para ele, a falta de cuidado dos motoristas é a principal causa dos acidentes. “De dez anos para cá, devo ter visto mais de 50 acidentes aqui. Já presenciei dois capotamentos. Agora deu uma parada, mas tinha época que eram dois por semana”.
Atair e outros vizinhos acreditam que a instalação de um semáforo no local resolveria o problema. A construção de lombadas próximas às esquinas das duas ruas também ajudaria. “Já fizemos abaixo-assinado, fomos à Prefeitura e Câmara dos Vereadores, mas não atenderam nosso pedido para instalar o sinal ou as lombadas”.
Na região leste de Franca, uma das vias mais movimentadas, a Avenida Santa Cruz possui dois pontos críticos. São os cruzamentos com a Rua Arnulpho Lima, em frente ao Sesi, e com a Rua Arnaldo Ricardo Souza. Nos trechos, o movimento é constante. Os veículos passam nas duas pistas da avenida, descem ou sobem pelas ruas perpendiculares à via principal e ainda há pedestres atravessando-os. “Precisa de um semáforo ali antes que aconteça algo pior”, disse a manicure Alessandra.
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