Dois meses e meio após viver o maior pesadelo de sua vida, a cabeleireira Valéria Freitas Rezende, 37, demonstra estar forte e sem ressentimentos. “Eu rezo e peço a Deus que dê um bom lugar para eles”, disse, serenamente. No dia 24 de outubro, seu marido, o ex-seminarista Hélder Massucato Rezende, abriu fogo contra a própria família e se suicidou.
Morreram, após serem baleados na cabeça, a mãe de Hélder, Lourdes Massucato, e dois filhos do casal, Letícia e Alexandre. Outra filha, Júlia, após 74 dias de internação, recebeu alta na terça feira. Ficou com graves seqüelas. No episódio Valéria também foi atingida na cabeça por um disparo. Ela ainda se recupera e deverá ser brevemente submetida a uma cirurgia no olho esquerdo.
Para Valéria, tem sido fundamental o apoio moral e espiritual de amigos e parentes. “As pessoas têm rezado muito por mim. Isto ajuda a confortar e aceitar. Peço muito a Deus compreensão”.
Depois revelou que soube das mortes no hospital por meio de psicólogas. “Eu fiquei surpresa, porque achei que ele não tivesse feito isto com as crianças também”.
A cabeleireira associou o crime ao fato do marido ser muito religioso e acreditar que teria uma vida melhor “próximo de Deus”. “Eu acho que ele queria levar a gente para este mundo que ele achava que era melhor. Foi um minuto de bobeira que deu na cabeça dele. Fez por este motivo. Não por maldade”.
No dia que antecedeu a tragédia, Hélder, conforme Valéria já havia dito à polícia, estava calmo. Não houve, segundo ela, qualquer tipo de briga ou discussão em família que justificasse o ato. “O meu sogro comenta que não entende a atitude dele. Ele era muito amoroso, muito protetor. Por isto penso que deve ter tido esta reação pensando neste mundo de Deus”.
Valéria afirmou que o marido “bebia muito”, mas que já havia superado completamente o vício e que não sofria recaídas. Hélder ainda tomava remédios por conta do alcoolismo. “Ele precisou fazer tratamento. Chegamos a interná-lo. Ele melhorou muito a vida sem o álcool. O médico percebeu e diminuiu as doses de medicamentos”.
O DIA DA TRAGÉDIA
Valéria falou sobre o dia da tragédia. Aparentemente não havia nada de diferente na residência. De repente, tudo aconteceu. “Eu estava pronta para sair para o serviço. Era costume dele ir até o portão comigo, abri-lo e me esperar sair com o carro. Eu achei que ele fosse fazer isso. Mas estava com a arma na mão, sem falar nada. Só Deus para explicar pra gente”, disse. E completou. “Eu fui a primeira (a ser baleada) e não pude fazer nada. Fiquei no chão, caída”. Depois, perdeu a consciência e acompanhou o desfecho da história no hospital.
A volta da filha Júlia para a casa, segundo Valéria, é um recomeço. Ela pretende cuidar da filha e retomar sua atividade profissional. “Ela está bem, graças a Deus. Agora tem que fazer os tratamentos. É esperar com o tempo a evolução do quadro que se encontra”.
Descontentamento, somente com comentários inverídicos de estranhos sobre a tragédia. “As pessoas fantasiam, inventam histórias. Cada hora eu ouvia uma diferente. É ruim porque as pessoas falam coisas que não são reais”.
EXCLUSIVO
Escute a entrevista dada por Valéria ontem, acessando o link: http://gcncomunica.wordpress.com/2009/01/08/destaques-desta-quinta-no-comercio/
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.