Após 74 dias de internação Júlia Freitas Massucato Rezende, 12, deixou por volta das 15h30 de ontem a Santa Casa de Franca e foi para a residência de familiares. Na manhã do dia 24 de outubro do ano passado a menina foi baleada na cabeça pelo próprio pai o ex-seminarista Hélder Massucato Rezende, 46.
Júlia foi a única sobrevivente dos três filhos de Hélder e da cabeleireira Valéria Freitas Rezende, 37 - também atingida na cabeça, mas já recuperada (leia mais ao lado). A irmã gêmea da garota, Letícia, o irmão Alexandre, 7, e a avó Lourdes Massucato, 75, todos baleados na cabeça, morreram. O crime ocorreu na Rua Ouvidor Freire, no Centro. Hélder se suicidou após atirar contra os familiares.
Ontem em nota oficial a Santa Casa comunicou que Júlia recebeu alta médica. O hospital afirma que a menina está “alerta”, com quadro estável e funções vitais mantidas. Respira sem ajuda de aparelhos. Mas seu quadro neurológico continua comprometido. A garota não fala e não se movimenta espontaneamente. Responde somente a estímulos. Sua alimentação é feita através de sonda.
A recuperação - que não significa o retorno à forma de vida que tinha antes -, de acordo com a nota da Santa Casa, poderá levar até três anos e será feita pela rede municipal de saúde através do SUS (Sistema Único de Saúde). Além do acompanhamento médico, Júlia receberá tratamentos fonoaudiológico, fisioterápico e nutricional.
ESPECIALISTA
O deputado federal Marco Aurélio Ubiali (PSB), neurocirurgião há 32 anos, disse que com base no boletim da Santa Casa é possível afirmar que Júlia está em estado vegetativo. “O paciente acorda, dorme, mas não tem contato com a realidade. Ele pode até precisar de ajuda na respiração eventualmente. Não há consciência diante da realidade”, afirmou.
[FOTO2]
O fato da Santa Casa dizer em um trecho do comunicado que Júlia está “alerta” não quer dizer, segundo Ubiali, que tenha havido uma melhora em seu quadro. “Significa que ela está acordada, mas só responde (a estímulos) por reflexo. Não é voluntário”. Sobre a expectativa de vida da paciente diante das seqüelas, Ubiali disse que “ela pode viver muitos anos” se for bem cuidada.
Procurados para fornecer informações adicionais sobre o caso, o médico Sinésio Grace Duarte, que acompanhou o caso de Júlia Rezende desde sua internação, e a assessoria de imprensa da Santa Casa disseram que suas declarações ficariam restritas à nota oficial.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.