Mesmo tendo passado o período festivo de final de ano, com seu característico vaivém, a movimentação de veículos continua grande e caótica. A cidade apresenta vários locais de estrangulamentos de trânsito, nos mais diversificados horários. Ao lado disso, a ocorrência de acidentes, às vezes, até acompanhada de violência entre as partes envolvidas, tem aumentado assustadoramente.
Ainda na última semana de 2008, um motorista foi barbaramente espancado por três rapazes, logo após seu carro ter sido atingido por trás. A agressão acabou provocando traumatismo craniano no condutor do veículo abalroado e posteriormente a sua morte. Tudo veio à tona devido ao depoimento de uma testemunha e investigações da equipe policial responsável pelo caso.
Não bastasse já o próprio veículo ser muitas vezes transformado em arma mortífera, algumas pessoas se aproveitam de incidentes e acidentes para dar vazão à sua parte animalesca. Por qualquer deslize de um motorista, o outro condutor inicia uma agressão verbal, que pode chegar facilmente à física.
Ainda bem que carro, caminhão, ônibus e assemelhados possuem hoje em dia fácil sistema de partida. Se fosse antigamente, possivelmente aquela manivela móvel, que servia para acionar o motor, transformar-se-ia num portentoso instrumento de ataque mortal.
Dia desses, pelo fato de demorar alguns minutos para dar passagem, um motorista foi covardemente agredido na cabeça com uma chave de roda. O agressor já carregava a ferramenta (arma) preventivamente sob o seu banco. Não fosse sua própria esposa interferir, as consequências (sem trema, a Reforma Ortográfica está em vigor!) seriam imprevisíveis.
A causa de muitos acidentes fica por conta da falta de atenção do motorista, corroborada também pela pouca educação. Sim, não há outra palavra para qualificar quem não utiliza as luzes indicativas da mudança de direção do veículo. O uso de setas faz parte da legislação de trânsito. Mas, mesmo assim, o número de desrespeito à norma é muito grande, inclusive por parte de condutores de viaturas policiais.
Quando não provoca acidente, no mínimo, a falta do uso das setas acaba gerando dissabores a outros motoristas ou mesmo aos pedestres. Um condutor para na esquina para (essa é preposição, nunca teve acento; a anterior, verbo, sem acento agora também por força da Reforma Ortográfica) esperar um carro que vem pela via preferencial. Este vira, sem sinalização nenhuma. Isso obriga o motorista a aguardar sem necessidade. O mesmo acontece com quem está a pé, esperando para atravessar a esquina.
Faixa de pedestres então apresenta um problema crônico para ambas as partes. Ora o motorista vê o transeunte e acelera mais ainda, quando o correto seria diminuir a velocidade. Ora, quem vai a pé visualiza o carro, faz que não viu e ainda fica fazendo hora para atravessar. E haja xingamento para quem reclamar.
Por outro ângulo, fila dupla é algo quase inimaginável nas ruas de Franca. Basta um carro encostar do lado, para que o outro motorista já olhe de rabo de olho. Depois, quando param, em algum cruzamento, a seguir, no momento da arrancada, os veículos começam a se fechar, como que para mostrar quem realmente é o dono da rua.
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
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