A Corregedoria da Polícia Civil abriu ontem uma sindicância para investigar a morte de Wagney de Moreira Prudêncio, 37. O serviços gerais morreu enforcado, por volta de 23h30 de sábado, em uma cela do Plantão Policial de Franca. Estava com uma corda de nylon enrolada no pescoço.
Antes da morte, Wagney foi acusado de incendiar a casa da ex-mulher, envolveu-se em uma briga e foi atendido no PS “Dr. Janjão”. A polícia aponta para suicídio. A família descarta tal hipótese e aguarda um laudo pericial para decidir que atitude tomará. A grande dúvida dos familiares é por que e como a corda foi parar dentro da cela.
A seqüência de fatos que culminou na morte de Wagney foi confusa. Ele foi encaminhado para o plantão da Polícia Civil na noite de sábado após ser acusado de, horas antes, ter incendiado a casa da ex-mulher, VMS, 38, com quem teve um relacionamento de oito anos. De acordo com o Boletim de Ocorrência, o Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 15h30 para conter um incêndio na casa, no Jardim Aviação.
Após o incêndio, de acordo com um familiar do serviços gerais, parentes e amigos de VMS teriam ido atrás dele para agredi-lo, ocasião em que Wagney se escondeu na casa da irmã, no Jardim Aeroporto III. A PM o deteve no local e o levou até o Plantão Policial.
Na delegacia, Wagney estaria descontrolado, chegando até mesmo a quebrar uma máquina de escrever. O delegado de plantão, David Abimael David, teria o encaminhado para o Pronto-Socorro “Dr. Janjão”, onde foi medicado com calmantes. De volta ao plantão, o serviços gerais teria ido para a cela onde foi encontrado enforcado. Uma das pontas da corda estava presa na grade e outra no pescoço da vítima.
A declaração de óbito, assinada pelo médico Antônio Pesce Júnior, aponta a causa da morte como asfixia mecânica como conseqüência de enforcamento por suspensão completa. Ainda na declaração, o suicídio é apontado como possível causa da morte.
INVESTIGAÇÃO
De acordo com o delegado Renato Tortorelli, que responde interinamente pela Delegacia Seccional de Franca - o titular Maury de Camargo Segui está de férias, foram abertos dois procedimentos: um administrativo e outro para apurar eventuais responsabilidades criminais. Ambos serão conduzidos por delegados da Corregedoria da Polícia Ribeirão Preto.
De acordo com Tortorelli, caberá à Corregedoria descobrir se Wagney realmente se enforcou e, neste caso, como a corda chegou às suas mãos. “Ela pode, na hora, ter sido encontrada dentro da cela, como estar ali nas imediações. A corda poderia estar no chão, alguém ter deixado cair. O problema é saber como ela entrou”, disse Tortorelli.
OUTRO CASO
Em menos de um ano é o segundo caso de morte de preso em plantões do delegado David Abimael David. Em 28 de março do ano passado, Alexandre Moraes da Silva, fugitivo da Penitenciária de Balbinos 2, teria se suicidado utilizando um cinto no Plantão, que então funcionava no Centro de Franca.
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