Um cenário nada agradável dá as boas-vindas a quem chega ao Parque do Horto pela Rodovia Cândido Portinari. Numa área pública, muitos e variados tipos de resíduos e materiais orgânicos formam um verdadeiro lixão a céu aberto. O local não é cercado, não conta com aviso de advertência e tão pouco tem vigilância constante da guarda municipal.
O Comércio esteve no local no dia 2 de janeiro. O lixo gerado com as festas de fim de ano já estava ali. Garrafas de espumante, festões de decoração, caixas (vazias) de panetone se juntaram aos resíduos industriais como couro, forros e, inclusive, sapatos prontos com etiqueta. Além do lixo industrial, restos de material de construção, o que sobrou de um sofá, de um berço e de um televisor também foram depositados no local. Pneus velhos e lixo doméstico completavam o cenário de sujeira.
Moradores dos bairros próximos lamentam a situação. Alguns se sentem envergonhados com o que definem como “descaso” dos próprios vizinhos. “Não moro no Horto, mas passo por aqui todos os dias e vejo essa sujeira. Fica feio para quem mora no bairro, principalmente se recebem visitantes de outras cidades”, disse o aposentado Marciel dos Santos.
A opinião de Marciel é idêntica a de moradores do Horto. “Tenho vergonha quando alguém vem a minha casa. As visitas têm a impressão de que a cidade é toda suja”, disse a dona de casa Ana Cintra.
Apesar de sobreviver recolhendo materiais recicláveis nas ruas e em lixões como o do Parque do Horto, o sapateiro desempregado EMS, morador no Jardim São Francisco, concorda com Marciel e Ana. “É lixo que poderia estar em outro lugar, não aqui”. No dia 2, EMS estava no meio do lixo em busca de materiais para vender. Há três meses, desde que perdeu o emprego, ele tem sustentado a mulher e dois filhos com os R$ 60 que ganha por semana vendendo recicláveis.
FLAGRA
Durante os 40 minutos em que o Comércio esteve no local, um senhor - aparentando ter mais de 60 anos - chegou com uma carroça cheia de entulhos. Desconfiado, preferiu não conversar. Também não jogou o lixo enquanto o repórter e o fotógrafo estavam no local. Um rapaz que o acompanhava disse que a Prefeitura autorizou os carroceiros a jogar entulhos ali, bem como em outros pontos da cidade.
Procurado pelo Comércio, o secretário de Obras e Serviços, Ismar Tavares, admitiu a autorização. Ele adiantou que a área será limpa nesta semana.
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