As drogas e os seus efeitos devastadores


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Até 30 de novembro do ano passado, 166 jovens de Franca foram flagrados pela polícia portando, consumindo, comprando ou vendendo drogas nas ruas da cidade. Os dados são da Polícia Civil. “O número é preocupante. Infelizmente, o envolvimento de menores com drogas tem aumentado tanto no consumo, quanto no tráfico”, disse o delegado Pedro Luiz Dallaqua, responsável pela Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes). A maconha responde pela maior parte das ocorrências. De primeiro de janeiro a 30 de novembro, 120 menores foram detidos pela polícia em Franca portando a erva. Outros seis estavam com cocaína e cinco foram flagrados com crack. “Os adolescentes estão experimentando drogas cada vez mais cedo. Percebemos uma diminuição na idade dos usuários. Já tivemos casos de crianças com dez, 11 anos detidas com algum tipo de entorpecente”. A Polícia não informou quantos desses menores permanecem presos e quantos estão em liberdade. Tão preocupante quanto o consumo é a quantidade de adolescentes presos por tráfico de drogas. Até novembro do ano passado, 35 menores foram parar atrás das grades por este tipo de crime. Dez foram surpreendidos vendendo crack, outros dez cocaína e 15 maconha. “Muitas quadrilhas, com indivíduos maiores na chefia têm usado os adolescentes para transportar e vender drogas já que, em tese, eles pegariam uma pena menor do que uma pessoa adulta. Para se livrar da polícia e da Justiça, traficantes estão recrutando estes menores”, disse Dallaqua. Responsável pelo Centro de Inteligência da Polícia Civil, o delegado Wanir José da Silveira Júnior, disse que, na maioria das vezes, as drogas acabam sendo a porta de entrada para o mundo do crime. “No desespero para comprar o entorpecente, muitos acabam cometendo pequenos furtos. Depois, partem para os roubos e também cometem assassinatos. Em 2008, dois adolescentes foram assassinados em Franca e a polícia não tem dúvidas de que a motivação foram as drogas. GHA, 15, ficou um mês desaparecido e seu corpo foi encontrado nos fundos do campo do Jardim Palestina no dia 30 de março. Estava enrolado em um cobertor e enterrado próximo a uma mata. A polícia recebeu denúncias de que o assassinato estaria ligado à guerra do tráfico na Zona Leste de Franca. No dia primeiro de novembro de 2008, DECS, 15, morreu na Santa Casa depois de ter sido espancado dentro da Cadeia do Jardim Guanabara. Ele era um dos autores do assassinato do sapateiro Leandro Braz Domingos,19, e foi morto pelo próprio comparsa. De acordo com a equipe que investiga o caso, são fortes as evidências de que o traficante que teria mandado matar Leandro também ordenou a morte do menor que o delatou. A psicóloga Shirlei Margarete Silvério Narcizo trabalha há nove anos dando assistência a usuários de drogas e seus familiares na sede da Dise. Ela acredita que a explosão do consumo se deve à facilidade de acesso. “A situação se banalizou. O jovem não tem referência dos grandes riscos que a droga oferece e está tendo contato cada vez mais cedo. Antes, ele começava a usar a maconha. Hoje, já tem a experiência de uma droga mais forte, que é o crack”. A profissional orienta os pais a fazer um monitoramento contínuo dos filhos, saber os lugares onde ele vai e conhecer os seus amigos. Outra dica é ficar atento às mudanças de comportamento e ao rendimento escolar. “Os pais precisam saber conversar e saber escutar os filhos. Também é importante levar em consideração a doença mental. Na fase da adolescência, é comum aparecer alguns transtornos. Se o jovem não receber cuidados médicos, ele pode se enveredar para o mundo das drogas, talvez, até como uma medicação”. O promotor da Vara da Infância e da Juventude, Augusto Soares de Arruda Neto, tem opinião semelhante e afirma que as famílias sem estrutura se tornam vulneráveis para que a droga entre e se instale. “Geralmente, o adolescente acaba consumindo em turma. Ele entra e acaba não saindo. A família deve estar próxima, saber o que está acontecendo. É preciso manter o jovem ocupado. Ele não pode ser largado”. Contrário ao trabalho para menores de 14 anos, Arruda Neto entende que a escola em período integral ou atividades extracurriculares são alternativas para tirar os jovens das ruas. Na sua opinião, a cidade precisaria ter mais lugares de recuperação. “Há necessidade de se criar comunidade terapêutica para os jovens. A referência que temos é a Instituição do padre Haroldo em Campinas. Também precisamos de mais programas de tratamento”.

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