Sidnei Rocha dá início à ‘nova partida’


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Após consagrar sua vitória no primeiro turno como político francano mais votado de todos os tempos, o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) usou sucessivas vezes a frase: “o jogo começa agora”. Diferente de quatro anos atrás, quando a economia seguia tranqüila e a perspectiva era de crescimento na cidade, o homem de 110 mil votos terá muitos desafios pela frente, a começar pela necessária superação do que ele próprio fez no último mandato. Sidnei não terá, nesta gestão, a comparação com o então desgastado governo de Gilmar Dominici (PT) - rejeitado nas urnas - mas, sim, com o seu próprio legado. Terá de lidar com a crise global e com a expectativa dos eleitores de tempos melhores. E não terá a eventual “desculpa” de uma oposição firme na Câmara, uma vez que a maioria dos vereadores integram a chamada base de apoio ao governo. Sidnei terá de se superar. Num cenário de turbulência, a economia mundial dá sinais evidentes de uma crise profunda, com reflexos em todo mundo. Em Franca, uma cidade onde o volume de exportações é relevante, não será diferente. As empresas já sentem os efeitos desta crise. A Amazonas demitiu 380 pessoas no final de 2008. Pequenos calçadistas também amargam o sabor de ter de encerrar a produção. “Fechei minha empresa no dia 11 (de dezembro), acho que não vou esquecer nunca na minha vida. Hoje sou mais uma empresa quebrada em Franca, uma cidade que deveria ter um órgão para observar o que está acontecendo”, reclamou, por e-mail, o leitor Antônio, proprietário da D’Calle Calçados. Nos últimos quatro anos, Sidnei pouco fez diretamente pelos empresários e trabalhadores francanos. Em resumo, aumentou a participação das empresas em feiras calçadistas nacionais e estruturou o PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador). Ações pequenas perto dos efeitos que a crise ainda pode gerar. Não bastarão. Ele terá que mostrar sua capacidade de gerenciar um período de desemprego, em que a demanda por serviços públicos vai crescer. Aquele que sempre foi seu calcanhar-de-aquiles, o atendimento de Saúde, deve sofrer um grande golpe. Preocupado, o prefeito já anunciou a construção de um novo pronto-socorro, com investimentos de R$ 4 milhões. A medida melhora, mas não resolve os problemas da saúde. O prefeito ainda terá de lidar com as constantes cobranças da população em relação à Santa Casa. Ao transferir a gestão dos recursos do SUS (Sistema Único de Saúde) para o governo estadual em março de 2007, Sidnei se livrou da responsabilidade de discutir a constante crise financeira do hospital, mas não da dor de cabeça por ela provocada. Os recursos que chegam não bastam para atender Franca e as cidades da região, como faz a instituição. Resultado: pacientes continuam sofrendo à espera de um fax para internação e com ameaças de cortes no atendimento. Sem socorro, a grande maioria bate à porta da Prefeitura. INFRA-ESTRUTURA Regado ao dinheiro da negociação com a Sabesp, Sidnei avançou quando o assunto é recapeamento de ruas. Pavimentou bairros que há anos esperavam pela melhoria, mas para continuar avançando, o prefeito não terá tantos recursos da Sabesp. Até o fim do seu segundo mandato, em 2012, terá de encontrar uma alternativa para manter a malha viária recuperada sem o dinheiro da companhia, além de pavimentar áreas que não foram beneficiadas. Para a oposição, a tarefa não será fácil. “Ele terá de cumprir a promessa de recuperar todas as vias, afinal de contas, todo mundo paga imposto e paga a conta da Sabesp. Se não o fizer, poderemos concluir que o recapeamento do primeiro mandato foi nada mais que obra eleitoreira”, disse José Eduardo David, presidente do diretório municipal do PT. TRÂNSITO Um dos maiores desafios de Sidnei será convencer a si mesmo de que poderá fazer alguma coisa para melhorar o trânsito da cidade. Foram mais de 2 mil acidentes e 34 mortos na área urbana até o dia 30 de novembro. Conformado, o prefeito admite que não sabe o que fazer. “O melhor é processar e condenar os motoristas. Honestamente, não tenho idéia para resolver (o problema). Vou analisar outras cidades para eu copiar. Se vocês queriam arrumar um assunto que eu não tivesse saída, este é um bom assunto. Arrumaram”, disse em entrevista à Difusora no dia 22 de dezembro. Para os cidadãos, a função de Rocha é, sim, resolver o problema, seja da maneira que for. “Todos nós vemos, sentimos e sofremos pelas barberagens no trânsito. A diferença entre um cidadão comum e o prefeito é que nós não fomos eleitos para resolver. Essa função cabe a Sidnei Rocha. O cidadão até pode, apesar de não ser aconselhável, ficar na posição de mero espectador. Essa opção não cabe ao prefeito de Franca, que tem uma delegação da população para enfrentar os problemas. O trânsito é um deles”, disse Corrêa Neves Júnior, jornalista e diretor-executivo do GCN. DÍVIDA E SUCESSÃO Um dos fantasmas do qual Sidnei conseguiu se ver livre até agora pode assombrá-lo nos próximos anos: a dívida do município. Quando tomou posse no primeiro mandato, o prefeito disse que herdou uma cidade endividada. Também fez o que pôde para evitar detalhar qualquer número da dívida durante seu mandato. Tratou a questão como assunto resolvido. Nos últimos tempos, tem adotado o eufemismo “controlada” para se referir à dívida até então tida como paga. Até que se prove o contrário, a dívida está longe de ser liquidada. Ela é alta, beira à casa dos R$ 92 milhões. Já o tamanho do saldo devedor que o tucano entregará para seus sucessores, só os anos vão dizer. Sua sucessão, aliás, talvez seja um dos desafios mais difíceis de resolver. A personalidade de Sidnei é pouco estimulante ao surgimento de novos líderes. E, num contexto em que a Câmara não produziu grandes nomes, imaginar quem vai chegar em 2012 com condições de disputar a sucessão do prefeito é um exercício complicado.

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