São muitos os requisitos de avaliação de um candidato. Aparência, postura, comunicação, versatilidade, formação, conhecimentos específicos e cultura geral, segundo e terceiro idiomas. Tudo isso entra em jogo. No entanto, há algo além. Já parou para pensar que a rede mundial de computadores pode dizer muito a seu respeito?
Um dos lugares favoritos pelos selecionadores são as páginas de relacionamento do Orkut. Muito popular entre pessoas de 18 a 25 anos, que ultrapassam os 50% de um total de 20 milhões dos usuários brasileiros, são ótimas fontes de pesquisa. Uma das primeiras coisas mais reparadas, e que costuma ser uma falha muito comum, são os erros de português. O famoso “internetês”, como “vc” no lugar de você, “tb” no lugar de também, para não falar da troca de consoantes e vogais de palavras, “naum” tem nada de inovador.
Para quem procura profissionais capacitados, o domínio pleno da língua portuguesa e o uso adequado da norma culta são obrigatórios.
Sem dúvida, também geram problemas as comunidades virtuais. Muitas vezes, estas chegam a soar engraçadas, entretanto podem te prejudicar. Um exemplo clássico são aquelas intituladas com “Odeio pressão”, “Odeio meu chefe” e “Odeio segunda-feira”. No caso da última citada, uma das acessadas pela reportagem tem pelo menos 658 mil adeptos. Outra muito aderida, com direito até a foto do Garfield, o desenho animado ícone da preguiça, é “Eu odeio acordar cedo!”, com mais de 130 mil pessoas.
Mas dentre estas, a pior sem dúvida é “Bebo todas”, com quase 100 mil membros. Imagine o responsável pelo RH daquela grande corporação lendo a seguinte frase que “tão bem” o sintetiza: “Para você que bebe caipirinha, caipiroska, cerveja, chope, vinho, rum, licor, amarula, conhaque, gin, cachaça (...) Seu lugar é aqui”. E o pior: caso você seja convocado para uma entrevista, o que você responderá sobre a freqüência com que consome bebidas alcoólicas?
Grupos que fazem incitação a todo tipo de preconceito nunca são bem vindos. O cuidado é sugerido também nos casos de posicionamentos políticos. As empresas gostam de pessoas de opinião, mas odeiam radicalismos.
A assistente de RH da Agiliza Agência de Empregos, Flávia Ariane, disse não saber apontar com exatidão quantas empresas em Franca já adotam tal postura. O que ela indica é que instituições de pequeno e médio porte ainda não utilizam o método já observado em grandes cidades. Apesar disso, ela comenta: “Isso influencia muito, dependendo do cargo e do local. Principalmente em comunidades que dão dicas das escolhas, aptidões e gostos pessoais. Algumas interferem muito”.
Atenção é necessária ao conteúdo. Se você pretende galgar uma vaga num conceituado escritório de advocacia, por exemplo, não tem cabimento disponibilizar para todos um vídeo em que você aparece dançando funk... “A pessoa se expõe demais com fotos de festas, de bebedeira, com coisas que escreve a respeito de si mesma e comunidades de que faz parte”, comenta a consultora Ana Paula Indiano.
Quando se fala em blogs, mais precaução. Utilize-os, sim. Afinal, estamos na era da informação. Mas tenha consciência de que o que vai publicar pode ser lido. Dedique suas páginas pessoais à difusão de conhecimentos e informações que agreguem valor positivo ao seu marketing pessoal. Publique textos, comentários sobre acontecimentos atuais, ou produza um portfólio on-line, com trabalhos já realizados.
Há mais de dez anos em consultoria de Recursos Humanos, Ana Paula Indiano fala que, nesse caso, não há uma regra, mas sim o uso do bom senso. É preciso evitar os exageros e ser autêntico. “Vai depender muito dos valores do selecionador. Se a empresa procura um profissional descolado e inovador para o departamento de marketing não vai querer um perfil muito ‘quadrado’”.
ORKUT PREPARADO
O jovem francano Leandro Borges, 27, acaba de concluir a faculdade de Administração pelo Centro Universitário Uni-Facef. Atualmente trabalha numa loja de parafusos e tem contato com rotinas de escritório. Seu sonho é conseguir uma vaga numa grande empresa, sobretudo nas áreas de marketing e recursos humanos.
Quando questionado sobre a situação de seu Orkut, ele parece tranqüilo. “Acho normal. Tenho fotos pessoais de minha formatura. Mas se alguém acessar não terá problema algum. Minha página tem links de comunidades da faculdade em que estudei e de muitos grupos relacionados a Recursos Humanos”, descreve. Além disso, sua apresentação inicial é cordial, com dizeres de incentivo ao visitante.
Ele considera interessante a nova forma das empresas obterem informações sobre os candidatos. “Tem seus pontos fortes e fracos e é uma opção a mais para escolher os candidatos”, conclui.
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