Parcela expressiva da comunidade é contra a reeleição de agentes políticos por acreditar que utilizarão a máquina administrativa a seu favor ou por pensar que num segundo mandato o administrador acaba por ser desidioso, relapso ou até mesmo improbo.
Particularmente sou favorável a disputa de uma reeleição. De um lado porque estimula a trabalhar com eficiência, resolubilidade e atenção para com os problemas da comunidade; indiferença ou má gestão tornam remotas continuidade na vida pública. De outra parte, precisa-se respeitar a autodeterminação do eleitor. A depender das decisões que tomar, o eleitor receberá serviços de boa qualidade do bom administrador que escolher, ou pagará elevado preço pelo gestor inepto ou perdulário que reconduzir.
Existem vários exemplos bem ou malsucedidos de reeleição. Alguns (inclusive eu próprio) entendem como ruinosa a reeleição de Gilmar Dominici, mas não se pode dizer o mesmo da reeleição do presidente Lula e do ex-governador Alckmin para ficar em dois exemplos.
Depois de um primoroso primeiro mandato como prefeito (1983/1987) e de haver amargado anos de rejeição, Sidnei voltou à vida pública há quatro. Amadurecido e depois de vencer sua própria impetuosidade e intolerância, permitiu que apenas suas virtudes de exímio administrador sobressaíssem. Os críticos irão dizer que o recapeamento de Franca somente ocorreu graças à “sorte” da renovação do contrato com a Sabesp mas o que dizer da “venda” da movimentação bancária da Prefeitura do Banco Real, o que garantiu mais R$ 11 milhões de reais ao município, diferentemente da ridícula negociação feita na gestão Dominici com o Banco do Brasil?
E não é só. Sem procrastinação ou demagogia, Sidnei enfrentou desafios que se eternizavam. Em 1997 (primeiro ano do PT) existia uma ação civil pública exigindo que a Prefeitura resolvesse o problema do aterro sanitário (Paineirão) cuja capacidade física estava exaurida. Em poucos meses de seu mandato Sidnei resolveu tudo e deu destino adequado às 140 toneladas de lixo diárias que produzimos.
De maneira demagógica e inconseqüente, vários vereadores se posicionaram contrários à construção da Fundação Casa (antiga FEBEM). Foi-se o tempo em que jovens traficantes de drogas; assaltantes, latrocidas, homicidas, estupradores etc. vinham de grandes centros como São Paulo, Campinas e outras urbes.
Infelizmente, hoje estes jovens são produtos do nosso próprio meio. Mesmo sabendo do desgaste político, Sidnei aceitou a proposta de descentralização das antigas Febems feita por Mário Covas e trabalhou por ela mesmo e apesar da oposição demagógica e inconseqüente de alguns vereadores.
Muitos outros desafios poderiam ser mencionados. Se conseguir realizar um segundo mandato profícuo Sidnei estará ajudando a desmistificar receio de reeleição. Mas, tão importante quanto uma exitosa continuidade, espera-se que Sidnei consiga construir uma nova mentalidade em Franca. Augura-se que, despindo-se de eventual ufanismo, egocentrismo ou outro sentimento menor, Sidnei fomente a criação de novas lideranças que substituam o enfadonho quadro atual.
Se não delegar tarefas, ouvir vozes emergentes e, principalmente, gestar líderes competentes para as futuras gerações, toda a sua obra terá sido em vão. A “res” pública cairá novamente nas mãos de amadores, aventureiros ou voluntariosos, em nefasto círculo vicioso. E, se isso se der, não terá valido a reeleição.
Fábio Cruz
Bacharel em Direito, ex-vereador por quatro mandatos e ex-presidente da Cãmara
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