Sem surpresas, Sidnei toma posse para segundo mandato


| Tempo de leitura: 5 min
POSSE DOS ELEITOS - Vereadores eleitos no último 5 de outubro no Teatro Municipal durante a sessão solene na manhã de ontem: cerimônia longa foi marcada por muitas falhas
POSSE DOS ELEITOS - Vereadores eleitos no último 5 de outubro no Teatro Municipal durante a sessão solene na manhã de ontem: cerimônia longa foi marcada por muitas falhas
O prefeito Sidnei Rocha (PSDB), o vice Ary Balieiro (PTB) e os 15 vereadores eleitos foram empossados, na manhã de ontem, em cerimônia realizada no Teatro Municipal “José Cyrino Goulart”. Discursos prontos - a maioria deles lido - e compridos marcaram boa parte das quase três horas do evento que começou poucas horas após a virada do ano. O cansaço dos presentes era nítido. Gafes e quebras de protocolo também não faltaram. Para a platéia de mais de 400 pessoas que lotaram as cadeiras do teatro, não houve novidades ou anúncios de grandes mudanças. A mesmice deu o tom da cerimônia. Como já era de se esperar, os vereadores da base de apoio do governo aproveitaram seus discursos para enaltecer os feitos do mandato encerrado de Sidnei Rocha. A oposição foi a única a apresentar uma sutil mudança. Em vez das críticas ao tucano, como de costume, preferiu ressaltar a importância das obras realizadas no governo de Gilmar Dominici (PT), antecessor de Sidnei. Nem mesmo a vereadora mais votada da cidade, Graciela Ambrósio (PP), apresentou surpresas. Com um discurso longo e cansativo, repetiu a postura já adotada na Câmara Municipal e voltou a atacar o prefeito. Deixou claro que poderá fazer uma “oposição branca” a Rocha. O discurso mais inflamado foi do vereador Miguel Laércio Mathias (PP), o Laércinho. Falando de improviso e bastante entusiasmado, chegou a “lançar” Rocha como candidato ao governo do Estado. A cerimônia de posse estava marcada para as 10 horas. Só começou 40 minutos depois. O deputado federal Marco Aurélio Ubiali (PSB) fez parte da mesa de honra. Os estaduais Gilson de Souza (DEM) e Roberto Engler (PSDB) não apareceram e mandaram representantes. Dos vereadores que não foram eleitos, somente Nirley de Souza (DEM) marcou presença. O bispo emérito de Franca, Dom Diógenes da Silva Matthes, um dos que mais aparentavam cansaço com a cerimônia prolongada, abençoou os políticos empossados. Após o juramento em que todos se comprometeram a “seguir com lealdade e espírito público” seus deveres e obrigações impostas pela lei, um representante de cada bancada teve o direito de discursar por cinco minutos. Só o vereador Valter Gomes e o deputado federal, Marco Ubiali, ambos do PSB, não estouraram o tempo. Paulo Afonso Ribeiro, representando o PT, falou por oito minutos. Evitou ataques ao prefeito. Preferiu afirmar que Dominici arcou com o desgaste político de reajustar o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), em 2004, o que permitiu uma arrecadação maior para Sidnei Rocha. Defendeu ainda o avanço da Câmara na elaboração e aprimoramento das leis complementares, como o Plano Diretor. “Não podemos continuar pensando pequeno”. Em seguida, Valter Gomes, que discursou por exatos cinco minutos, disse que o PSB continuará com o que definiu como “posição independente” no Legislativo. “Não é concordar ou discordar de tudo. É dizer sim ou não de forma fundamentada”. Em seguida, a solenidade foi interrompida para que as mulheres presentes à mesa, a primeira-dama, Diva Faleiros, a mulher de Balieiro, Maria Inês Archetti, e Graciela Ambrósio, que - como vereadora mais bem votada - presidiu a posse, foram homenageadas e receberam flores. Na retomada, um discurso inflamado de Jepy Pereira (PSDB), que, representando a bancada tucana, falou praticamente o tempo em primeira pessoa. Criticou a gestão petista, dizendo que Rocha encontrou uma “cidade destruída” e que o trânsito francano era “controlado por buracos”. Enalteceu melhorias realizadas pela atual gestão. O PTB usou a estratégia de dividir o espaço entre Vanderlei Tristão e o Pastor Otávio Pinheiro. Pelo protocolo, somente um poderia falar. Juntos, ficaram mais de oito minutos ao microfone. Pinheiro dedicou sua eleição ao pai e à mãe. Laercinho, representando o PP, encerrou a participação dos vereadores empossados. Em um discurso alegre e totalmente improvisado, arrancou aplausos da platéia ao dizer que nunca mais vota favorável a aumento de IPTU e chegou a dizer que Sidnei Rocha deveria ser governador do Estado. O PREFEITO Sidnei Rocha foi o penúltimo a discursar. Desta vez, sua fala foi burocrática, sem frases de efeito e a costumeira ironia. Disse que o objetivo, agora, será aprimorar as ações da administração. “Começa aqui mais uma caminhada de quatro anos que vai exigir a continuidade do esforço, buscando melhorar mais ainda a qualidade de vida da nossa gente”. Ressaltou, em seguida, suas realizações e agradeceu sua equipe de trabalho. “Estamos todos muito motivados. A caminhada será longa e espinhosa, mas vamos conseguir fazer as pessoas mais felizes”. PROVOCANTE Vereadora mais votada nas últimas eleições, Graciela encerrou a cerimônia utilizando seu tempo - mais de dez minutos, o dobro do anunciado por ela própria como limite - para apontar os pontos falhos da administração tucana e provocar Sidnei Rocha. “Franca está ficando para trás e nossas autoridades precisam reagir”, disse. Graciela citou, ainda, o diretor executivo do Grupo Corrêa Neves de Comunicação, Corrêa Neves Júnior, que declarou, na Gazetilha do dia 4 de maio deste ano, que votaria nela. “Não poderia deixar de agradecer ao Côrrea Neves Júnior, que declarou publicamente seu voto a esta vereadora, um voto de qualidade, que muito me honrou”. Em referência direta ao prefeito, que afirmou em entrevista à Rádio Difusora, logo após ser eleito, que é a principal força política da cidade, a delegada disparou. “O povo é o que é, na verdade, a grande força política francana”. Sentado à mesa de honra, Sidnei assistiu ao discurso e não conseguiu se conter. De forma discreta, brincou com a situação. Escreveu um bilhete e mandou entregá-lo ao vereador petista Paulo Afonso. No papel, os seguintes dizeres: “A Graciela está roubando o discurso do PT”. Rocha e Paulo Afonso se entreolharam e começaram a rir. Graciela não notou a brincadeira do prefeito.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários