Resiliência é a propriedade de um material armazenar a energia de um impacto, sofrer deformação sem romper-se, para em seguida voltar ao seu estado original. Pela definição podemos dizer que uma bola de borracha é um corpo bastante resiliente e uma de cristal não.
O termo é oriundo da Física e passou a ser utilizado em Saúde Mental, sendo hoje motivo de numerosos estudos que avaliam o desenvolvimento infantil frente às adversidades. Entre os principais tipos de adversidades na infância encontram-se o abuso físico e sexual, violência familiar, miséria, negligência e divórcio, morte, doença mental, uso de substância ou comportamento criminal de um ou ambos os pais.
Crianças resilientes são capazes de absorver tais impactos sem rompimento, deformam-se e voltam ao estado original, superando as adversidades de forma incansável. Crianças não resilientes sofrem ruptura, tornam-se alvos fixos, vulneráveis à doença mental.
O professor Haim Grunspum da PUC-SP define assim a criança resiliente: a) é uma criança flexível, sensível e atenciosa, capaz de demonstrar suas emoções e se comunicar, em dificuldades é capaz de usar o bom humor; b) tem competência para resolver problemas, pensa de forma crítica e elabora alternativas buscando soluções; c) quando não consegue encontrar uma solução, busca ajuda; d) tem um forte senso de identidade e auto-estima positiva, mostra independência e autocontrole; e) tem propósitos com confiança no futuro, propõe-se metas realistas e tem aspirações educacionais elevadas, é persistente, esforçada, otimista e vê o futuro com oportunidades e sucesso.
É tudo que queríamos para os nossos filhos, não é? Mas enfim, existe uma receita para educá-los para a resiliência? Sabemos todos que não existe receita em Educação, mas algumas dicas de Robert Brooks e Sam Goldstein (Raising Resilient Children, 2007 Mc Graw-Hill) podem ajudar: 1) seja empático e ensine seu filho a sê-lo; 2) comunique-se bem e saiba escutá-lo; 3) saiba colocar-se no lugar dele; 4) controle sua impulsividade; 5) ao repreender seja firme, mas educado; 6) mude padrões negativos e tenha influência positiva; 7) expresse seu amor de forma que ele possa sentir; 8) aceite-o como ele é; 9) ajude-o a estabelecer objetivos realistas; 10) estimule sua criatividade; 11) transforme os erros em oportunidades de aprendizado e reflexão; 12) ensine-o a ser compreensivo, responsável e ter consciência social; 13) estimule-o a resolver problemas e tomar decisões; e 14) discipline de forma a promover auto-disciplina e amor-próprio.
O que desejar então ao leitor e às nossas crianças? Um 2009 de muita resiliência, é claro.
Marco Antônio Arruda
Neurologista da Infância e Adolescência e doutor em Neurologia pela USP - www.aprendercrianca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.