O ano de 2008 chegou ao fim com uma violenta e preocupante coincidência. De 1º de janeiro a 30 de novembro, foram registrados 2008 acidentes de trânsito na área urbana de Franca. Mais da metade envolveram carros e motos. Em média, foram seis ocorrências todos os dias e um total de 2.435 vítimas com escoriações pelo corpo, fraturas ou traumatismo craniano. Trinta e quatro pessoas morreram. Os jovens são a maioria nesta estatística. Para as autoridades, o grande número de veículos nas ruas da cidade e a imprudência dos condutores são as principais causas dos acidentes.
A sapateira Valdete Costa Martins, 44, conhecida pelos amigos por “Déti”, é uma das integrantes da imensa relação das vítimas e retrata a violência do trânsito local. No dia 2 de junho, uma segunda-feira, ela ficou até mais tarde no trabalho, uma fábrica localizada no Distrito Industrial. Por volta das 20h40, retornava para casa pilotando uma moto YBR azul e bateu na traseira de um caminhão parado na Avenida Severino Tostes Meirelles. O veículo carregado de pedras britadas havia estragado e não tinha as faixas refletivas, que são de uso obrigatório. No escuro, se tornou um alvo invisível. A batida foi inevitável. “Sofri traumatismo craniano, fraturei o maxilar e a perna direita. Fiquei internada 25 dias”. Foi socorrida desacordada e correu risco de morte.
Seis meses depois, a sapateira continua afastada do serviço e ainda traz no corpo as marcas da violência. Caminha com dificuldade, fala com rouquidão por causa de uma cirurgia, está com a visão comprometida e com o braço esquerdo paralisado. “O trânsito não é brincadeira, não. Só quem passa pelo o que estou passando sabe o quanto é difícil. É preciso ter mais atenção e cuidado”.
Profissionais que atuam diretamente no atendimento deste tipo de ocorrência concordam com sua opinião e afirmam que muitos acidentes poderiam ser evitados caso os condutores fossem mais prudentes.
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O sargento Ranuzzi, supervisor do policiamento de trânsito da Polícia Militar, acredita que o excesso de confiança do motorista no veículo e nele mesmo ajuda a explicar o crescente número de acidentes na área urbana da cidade. “Sempre digo o seguinte: antes que ocorra um acidente, uma infração de trânsito é cometida.
Dificilmente alguém vai bater se respeitar as regras”. Na opinião do policial, fatores adversos, como chuva e tipo de pista, somados à falta de atenção e ao estresse cada vez maior dos condutores, são as causas mais comuns. “No dia-a-dia, temos observado que falta experiência aos condutores. Muitos que se envolveram em acidentes haviam tirado a habilitação há pouco tempo. São pessoas que não estão preparadas para dirigir ou pilotar motos”, finaliza.
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