Beber, nunca mais!


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“Aiii, minha cabeça vai estourar!”. Essa foi sua primeira previsão ao abrir os olhos naquela manhã. “Beber, nunca mais!” Mais uma vez prometia o que já sabia que não iria cumprir. Na euforia etílica da noite anterior, festa de fim de ano da empresa, Zé não calculou o tamanho da ressaca que lhe abateria no dia seguinte. A boca seca e o gosto inconfundível de “cabo de guarda-chuva” denunciavam a quantidade da bebida ingerida nas mais diversas combinações. Mas o pior estava por vir. Seus pensamentos fluíam desordenadamente como a marcha ebriosa de algumas horas atrás. Como e com quem havia voltado para casa? Onde deixou o seu carro? O que será que havia dito, feito ou visto? Talvez tivesse prometido, negado, brigado ou beijado? Não conseguia lembrar-se de nada! Resolveu então levantar, em vão, não suportou a dor que lhe abria a cabeça em marteladas e quase vomitou. Mas o telefone estava ao seu alcance e, afinal, amigo é pra essas coisas! Ao ligar, constatou o pior! Sim, tinha falado muita bobagem, fumado, feito strip-tease e até cantado a Dona Zu, do PABX! Não bastassem as péssimas notícias que, por si só, já justificavam a mudança de emprego, talvez de cidade, resolveu ligar para seu outro amigo Dan, agora ex-amigo, pois, dizendo estar muito ofendido, recusou atendê-lo... Pobre Zé, mal sabia que seus “amigos da onça”, na noite anterior já haviam tramado o seu inesquecível despertar! Muitos de nós conhecemos histórias como essa, alguns, indesejavelmente, através da própria experiência. Trata-se da chamada amnésia alcoólica, blackout na língua inglesa ou, para nós, o familiar “apagão”. Ocorre quando o álcool deleta as informações armazenadas na memória de longo prazo residente no hipocampo, região cerebral localizada à altura das nossas orelhas. Além do apagão e da infalível ressaca que ocorrem horas após a ingestão alcoólica, os efeitos neurológicos imediatos da intoxicação etílica são conhecidos por todos, como as alterações de equilíbrio, coordenação, resposta reflexa, fluência da fala, entre outros. No entanto, pesquisa recente da Universidade de Bristol comprova que após algumas biritas as pessoas começam a achar as outras mais atraentes. Após 15 minutos da ingestão de 250 ml de uma bebida alcoólica de limão, os voluntários deram notas maiores a um grupo de fotos de jovens da mesma idade do que o grupo controle que ingeriu a mesma bebida sem álcool. Afinal um consolo para o nosso amigo Zé, ao ver que estava sozinho em seu apartamento constatou que sua ressaca poderia ter sido pior! Marco Antônio Arruda Neurologista da Infância e Adolescência e doutor em Neurologia pela USP - www.aprendercrianca.com.br).

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