Franca tem 65 mil pessoas na linha de pobreza


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Foto de arquivo mostra pés de moradores da periferia de Franca. Cidade tem 64 mil pobres
Foto de arquivo mostra pés de moradores da periferia de Franca. Cidade tem 64 mil pobres
Quase 65 mil pessoas em Franca, o equivalente a dois em cada dez habitantes da cidade, vivem na linha de pobreza. O montante representa 20,34% da população e é, proporcionalmente, superior a três capitais brasileiras (Belo Horizonte-MG, Vitória-ES e Goiânia-GO). Em números absolutos, o total de pobres ultrapassa o de Ribeirão Preto, onde só 9,54% de uma população de 547 mil habitantes é considerada pobre (52 mil pessoas). A constatação é do levantamento “Mapa da Pobreza e Desigualdade 2003” divulgado recentemente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e tem como base os dados colhidos nas Pesquisas de Orçamentos Familiares 2002/2003 e no Censo de 2000. Além do índice de pobreza, o estudo mostra também a desigualdade social. O IBGE considera pobres, as pessoas que consomem até R$ 149,78 por mês, portanto sem condições de ter acesso a uma cesta básica de alimentos e a bens mínimos necessários para a sobrevivência. Segundo o mapa, 26,6% da população do Estado de São Paulo está na linha de pobreza e o índice nacional é de 32,6%. Roberto Nunes Rocha, secretário de Desenvolvimento Humano e Ação Social de Franca, disse que o número de pobres na cidade tem diminuído. Para ele, a administração municipal tem trabalhado com foco na eliminação da pobreza e as ações realizadas têm surtido efeito. Entre elas, ele destaca os cursos de geração de renda. “Há quatro anos, a estimativa era de 90 mil pobres, ou 30% da população. Agora, os novos dados do IBGE provam que estamos reduzindo o universo da pobreza na cidade”. [FOTO2] Rocha não disse se considera o número alto ou baixo, apenas classificou o índice como normal, porém não aceitável. “Franca é uma cidade operária, não rica. Temos que trabalhar para uma redução ainda mais efetiva”. Segundo o secretário, comparado a cidades com características semelhantes, o percentual de Franca pode ser considerado baixo. Indagado sobre quais seriam essas cidades, Rocha disse que estava no trânsito e não tinha como nomeá-las. Hélio Braga Filho, pesquisador do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) do Uni-Facef, disse que o índice é preocupante e reflete a falta de investimentos e de políticas sociais suficientes para suprir a demanda. “O fluxo migratório na cidade é grande e Franca não tem atividade econômica suficiente para absolver a mão de obra existente. A situação é preocupante pois pode induzir mais as pessoas para a marginalidade”.

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