Enquanto a maioria se diverte, eles trabalham


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O derradeiro dia do ano se aproxima e o mundo se prepara para comemorar a chegada de 2009. Tudo é planejado para receber o Ano Novo com esperança e otimismo. Quem pode festeja com os amigos, viaja, brinda com a família. Outros, porém, têm que passar a virada de ano no lugar onde cumprem expediente diariamente: são frentistas, balconistas, enfermeiros, médicos, seguranças, policiais, bombeiros e tantos outros profissionais que atuam em locais que funcionam ininterruptamente. O francano Roberto Gonçalves da Silva, que trabalha há 13 anos como frentista em um posto de combustíveis da cidade, já está acostumado a ficar longe da família nesta época. Este já é o 13º ano que Roberto passará a virada trabalhando. “No começo é um pouco mais difícil, depois a gente se adapta. A família também se acostumou, se adequou”. Ele e os colegas de profissão Alexandre Honório e Cleomar Alves serão os responsáveis por manter em ação as bombas de gasolina, álcool e diesel para que os outros, os que podem, cheguem ao destino planejado. Segundo Roberto, quando o horário da virada se aproxima, é comum que haja uma retração na movimentação de clientes. Assim, é possível que sobre alguns minutinhos para uma comemoração discreta, evitando que a data passe em branco. “Até às 23h30 é muito movimentado. As pessoas querem abastecer logo para chegar às festas. Depois dá uma acalmada e conseguimos um tempinho para abrir uma Coca-Cola”, disse Roberto, que após a primeira meia hora do Ano Novo tem que arregaçar as mangas para valer. “O posto lota. Vira uma festa”. De trás do balcão da loja de conveniência onde trabalha há 15 anos, o gerente José Aparecido Penha da Silva viverá a chegada de 2009. Ele conta que as comemorações se restringem quase somente aos cumprimentos. Se houver um tempinho, ele planeja, no máximo, estourar um espumante - mais pelo simbolismo e tradição que pelo sabor da bebida, afinal é dia de trabalho. “Este será o décimo quinto ano em que estarei trabalhando. Nunca tive dificuldade em me adaptar. No começo, temos aquela empolgação do novo emprego e depois acabamos nos adaptando”, afirmou. A família, segundo José, também está acostumada com as vantagens e contratempos de seu horário noturno. “Eles entendem bem. Nunca tive problemas. Quando comecei a trabalhar aqui era solteiro e meus pais sempre entenderam. Depois casei e minha esposa também compreende”, disse o gerente, contando que na noite de 31 de dezembro trabalharão ao menos 13 pessoas nas áreas de atendimento, produção e segurança da empresa. Outra que estará na labuta enquanto fogos e estouros de champanhe fazem barulho pelo mundo é a auxiliar de enfermagem Juliana Sousa de Oliveira. Ela afirma que trabalhar durante a passagem do ano não altera em nada a sua vida. “Como cuido de uma pessoa idosa na casa dela, sei que vou trabalhar de qualquer jeito. São cinco anos, então já é comum ficar longe de casa neste dia. Sou solteira e meu filho está acostumado a ficar com os meus pais. Minha família reclama mais que eu. Para mim está tudo ótimo”.

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