Se você for ao dicionário para verificar o significado do adjetivo próspero, verificará que o mesmo deriva do latim, prospero, cujo sentido é favorável, propício, crescer, aumentar, ter fortuna. Assim, quando ao término de um período de 12 meses as pessoas dizem “próspero ano novo” querem desejar-nos um ano favorável, com crescimento e fortuna. É evidente que o desejo nos agrada, seja pela sinceridade, seja pelo que é desejado. Especialmente, em se tratando de fortuna, porquanto sempre pensamos em fortuna material, de posse de bens. No entanto, será que a ventura está diretamente ligada aos valores pecuniários? Será que dinheiro é sinônimo de felicidade?
A nosso ver, dinheiro traz comodidade, traz conforto, mas não compra a felicidade. Isto porque felicidade é processo íntimo, de construção individual e não produto que se compre a varejo ou atacado. Felicidade está diretamente relacionada ao ser e não ao ter. Precisamos entender que dinheiro é meio e não fim. Meio de conseguirmos os nossos objetivos, mas não finalidade de vida. Quem coloca o dinheiro como fim corre o sério risco de se decepcionar.
Exatamente porque o dinheiro “compra a comida, mas não compra a fome; compra o remédio, mas não compra a saúde; compra a cama, mas não compra o sono”, na feliz expressão do Dr. Bezerra de Menezes, pela psicografia do inesquecível médium Francisco Cândido Xavier.
Então, felicidade é construção que se faz na hora-a-hora da existência, sobretudo quando esquecemo-nos de nós mesmos e pensamos nos nossos semelhantes; quando deixamos o individualismo estiolante e vivenciamos o coletivo enobrecedor. Portanto, prosperidade deve ser aquela que almejamos quando mudamos nosso mundo íntimo para melhor. Crescer em valores educacionais, em urbanidade, em civismo, em moralidade. Este é o verdadeiro crescimento que todos deveríamos procurar com denodo.
De que nos adiantará conseguir invejável patrimônio material se este patrimônio se origina de processos escusos de aquisição? De que nos valerá conseguir considerável saldo em conta bancária se este dinheiro advier de meios ilícitos? Para que servirá a posse de bens materiais se com eles perdemos a nossa alma? Não foi de que nos advertiu Jesus quando pronunciou a parábola do homem rico que sempre queria mais?
Sim, a melhoria, o conforto, o bem-estar e a comodidade originados do trabalho do homem podem fazer parte da nossa vida. O que não podem é serem conseguidos por meios desonestos, ilícitos, iníquos.
De que vale ganhar o mundo e perder a alma? O mundo é transitório, passageiro, vamos deixá-lo um dia. A alma (ou espírito) é eterna e sempre viverá. Os valores, pois, desejáveis são os que enobrecem a alma e a colocam em situação melhor quando retorna à prática verdadeira.
Agora, no fim do ano, quando desejamos “próspero ano novo” a amigos e familiares, estejamos cientes de que a prosperidade desejável é aquela que enriquece o espírito e que o torna merecedor do “Reino de Deus”.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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