Mais um Natal! Luzes, cores, cânticos, saudades... A lembrança de outros Natais, outros nomes, outras histórias mesclam de tristeza e alegria os corações. É nesse período que as presenças são mais desfrutadas e as ausências, mais sentidas.
A chegada da data que festeja o nascimento de Jesus nos dá também a profunda sensação de felicidade, por termos conseguido estar vivos e prontos para enfrentar novos desafios. O Natal é uma data que sempre me fascinou. Guardo dela grandes e boas lembranças, principalmente quando acordava na aurora do dia 25 de dezembro ansioso para ver o que o Papai Noel tinha deixado embaixo da minha cama como presente.
Época mágica de desembrulhar esperanças, de dar de presente carinho, compreensão e amor, de fortalecer a paz e a fé, de engavetar a saudade... Aquela saudade pequena, que vai ficando maior e que vai doendo um pouquinho mais nesse dia. E está aí o Natal, o mesmo Natal que, quando éramos crianças, falava do nascimento de um menino encantado que tinha o poder de modificar as nossas vidas, se quiséssemos.
Descobri cedo que essas datas festivas se resumem em uma palavra: sentimento. Sentir o presente do dia-a-dia, o brinde da existência, que borbulha na taça da alma de quem se permite ser. Assim, o que posso desejar neste Dia de Natal é muitos sentimentos, uma infinidade deles. Os bons para alegrar; os maus para alertar e ensinar; os mornos para mostrar que o calor está em algum lugar, é procurar e achar; os frios indicando que, às vezes, é preciso congelar para reacender a chama.
Sentimentos são as intuições que nos acompanham e que têm o poder de nos mostrar o melhor caminho, a escolha mais acertada, o destino destinado. Sentimentos são as emoções que nos movem, nos tiram do lugar-comum, nos levam ao inusitado.
Se a época é propícia para renovar sentimentos e aproximar as pessoas, o que se espera é que cada um, em seu ritmo próprio, tenha a solidariedade como um objetivo pessoal e coletivo, traçando um caminho de transformação indispensável para reconstrução da sociedade, hoje fragmentada, agressiva e massificada.
Que saibamos aceitar esses sentimentos, respeitá-los, escutá-los, obedecer a eles, nos deixar guiar por eles. E que possamos ser sentimentais - sim, e por que não? -, pois nem tudo tem de fazer sentido o tempo todo. Nem sempre a razão é a mãe da sabedoria.
Um Feliz Natal, uma eternidade de sentimentos, únicos, capazes de fazer com que possamos nos sentir verdadeiramente vivos.
SE EU FOSSE PAPAI NOEL...
Sairia pelo universo, não com um simplório saco às costas, mas num colossal trem cheinho de amor, paz, fraternidade, harmonia, esperança, justiça, alegria, afeto, felicidade, saúde e bem-estar. Distribuiria entre todos os povos comida para quem tem fome, água para os que não têm o que beber, saúde para os que estão sem ela, conhecimento para os que permanecem na escuridão, generosidade para os que desconhecem este sentimento, paz para os que vivem em conflito, alegria para os tristes e amor para todo mundo. Colocaria vergonha na cara dos políticos, para que a partir de janeiro os brasileiros possam ter o governo que pensavam que teriam. Distribuiria esperança, acabaria com a violência, com a corrupção e a miséria, transformando o Brasil no país grandioso que ele é.
Se eu fosse Papai Noel... Transformaria os campos de trabalho e os aviões de guerra em pombas da paz; as armas, em flores e o sangue derramado em água limpa, para lavar a impureza do ódio!
Se pudesse ser realmente um Papai Noel, não usaria a ilusão como fantasia, vestir-me-ia com a verdade e distribuiria a justiça entre todos. Pena! Não sou Papai Noel...
IDADES DO HOMEM...
Aprendi que o homem tem quatro idades: quando acredita em Papai Noel; quando não acredita em Papai Noel; quando é o Papai Noel e quando se parece com Papai Noel.
NEGATIVO
Época de fim de ano as pessoas ficam sobrecarregadas. Alguns tremem e são acometidos de uma espécie de síndrome do pânico só de ouvir a palavra “confraternização”. Haja tempo, dinheiro e paciência para ir a tanto oba-oba. O verdadeiro espírito de Natal fica esquecido em meio à correria das compras, dos presentes, das comemorações... Poucos se detêm em fazer uma reflexão para começar o ano com novos objetivos. Ao contrário, a grande maioria está preocupada em aparecer, beber, contar vantagens e manter as aparências a título de um Natal que muito pouco tem de cristão.
POSITIVO
Escolha uma estrela. Uma qualquer entre tantas, e se deixe guiar. Viaje numa aventura. Navegue ao fluir do pensamento. Será possível rever o princípio, o palpitar da criação. No trajeto da volta, a glória do nascimento. E o sopro do renascer em nós mesmos. Ao transpor o portal da fantasia, de regresso à realidade, sinta todo o encanto da vida. Ela se irradia com a luz, esperança no florescer de um tempo de fraternidade e justiça. Bom Natal a todos!
ACONTECEU...
...numa festa de confraternização em Franca. Após um farto jantar, o anfitrião senta-se ao piano e começa a tocar a valsa Saudades de Matão. Um dos convidados não se contém e começa a chorar baixinho. Comovida e emocionada, uma senhora ao seu lado lhe pergunta:
- O senhor é de Matão?
- Não... Sou professor de piano.
Edward de Souza
Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br
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