Por um Natal melhor


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POR UM NATAL MELHOR - Eliana Modesto e três de  seus seis filhos na entrada de sua residência, no Jardim Luiza I. Com ela, Bruna (à esq.), Camila e Urias: a dona de casa escreveu uma carta pedindo macarrão, batata, frango, refrig
POR UM NATAL MELHOR - Eliana Modesto e três de seus seis filhos na entrada de sua residência, no Jardim Luiza I. Com ela, Bruna (à esq.), Camila e Urias: a dona de casa escreveu uma carta pedindo macarrão, batata, frango, refrig
Eliana Modesto, 32, e Joyce Priscila de Oliveira, 22, são donas de casa, moram na região norte da cidade, criam os filhos praticamente sozinhas e vivem muitas privações, inclusive de alimentos. As jovens mães têm um sonho em comum: servir aos filhos uma refeição mais farta neste Natal. As duas, sem se conhecerem, enviaram cartas ao Grupo Corrêa Neves de Comunicação na expectativa de verem seus desejos realizados. Eliana mora numa casa de três cômodos, no Jardim Luiza I. Mãe de seis filhos, de 14, 11 (que tem síndrome de Down), 9, 7, 6 e 5 anos, está grávida de quatro meses. O único emprego que conseguiu foi como faxineira. Ela recebe R$ 40 por mês com o trabalho, que são somados aos R$ 122 do Bolsa Família. Com poucos recursos, enfrenta dificuldades para sustentar os filhos. “Teve semanas que nós passamos comendo mingau; fubá com água. Nessa semana deu uma ‘melhoradinha’, consegui um pouquinho de arroz e de feijão, então deu para fazer uma coisa mais forte. Carne faz meses que nós não comemos”. O desejo de Eliana é servir os filhos com macarrão, batata, frango e refrigerante no almoço de Natal. “Às vezes, tenho vontade de ter uma comida diferente ou roupas e calçados para meus filhos, mas não tenho condições de comprar. Faz mais de anos que não entro no mercado. Estou na esperança de que alguém vai ajudar”. Eliana disse que não comprou roupas para os filhos durante todo o ano. Eles usaram peças descartadas por outras pessoas. “Usamos roupas que encontrei no lixo quando catava papelão”. Uma de suas filhas, a Bruna, completará 8 anos no dia 25 de dezembro. Ela pede uma calça jeans e uma sandália novas. A família ainda precisa de produtos básicos para higiene. “Não tenho sabonete, pasta de dente nem xampu para lavar o cabelo das minhas meninas. Não tenho nada. Nem chuveiro tenho. Esquento água para tomar banho”, disse ela, que não recebe ajuda do pai das crianças. Aos 22 anos, Joyce já é mãe de quatro filhos: de 4, 3, 2 e três meses. Kauan é deficiente. Ele sofreu epilepsia cerebral e ficou com seqüelas, por isso não anda nem fala. Ele tem 2 anos e se locomove arrastando no chão. A família mora numa casa de fundos no Jardim Portinari, alugada por R$ 210. Como Eliana, Joyce escreveu uma carta pedindo ajuda para ter um cardápio diferente no Natal. “Queria ter maionese, lasanha e carne para meus filhos. Faz muito tempo que não comemos isso”. As refeições têm sido basicamente de macarrão e batata. Carne é artigo de luxo na mesa da família. “Meus filhos vivem pedindo danone, bolacha e bombons, mas não tenho condições de comprar. Gasto dinheiro com leite NAN e fraldas”. Além dos alimentos, as crianças desejam ganhar presentes do Papai Noel. Lucas Gabriel, 4, quer uma bicicleta, João Víctor, 3, um carrinho de controle remoto e Kauan e Miguel, brinquedos. Joyce sobrevive com R$ 415 do benefício de Kauan. O marido, de 24 anos, está preso por tráfico de drogas há dois anos. SERVIÇOS O endereço de Eliana é Rua Isméria Andrade Taveira, 1970, no Jardim Luiza I e de Joyce, Rua Régis Simaro, 1310, no Jardim Portinari.

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