Na amplitude do rádio


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Tempo houve em que o rádio, além de ser um poderosíssimo meio de informação, era principalmente usado para levar também instrução para os ouvintes. A programação das emissoras transmitia entretenimento (música e novela) e muita cultura. A maneira de ser e até o modo de falar da população sempre recebeu influências radiofônicas em época não muito distante. O introdutor do rádio no Brasil, Edgard Roquette Pinto, cunhou esta tríplice frase, no início de 1923, quando inaugurou a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro: ‘O rádio é o jornal de quem não sabe ler, é o mestre de quem não pode ir à escola, é o divertimento gratuito do pobre’. Profético Roquete Pinto! Nos primórdios da comunicação radiofônica, com o baixo índice de alfabetizados, o jornal basicamente passou a ser ouvido pelo rádio. Por hábito, até hoje, tem gente que ainda ‘lê’ as notícias do dia pelas ondas radiofônicas de amplitude modulada (as conhecidas AM). A prova disso está na ampla audiência da Rádio Difusora, emissora com programação básica voltada para o jornalismo, mesclada também de músicas e variedades. Por sinal, a penetração da Difusora atinge toda a região de Franca, via dial AM do aparelho receptor. A rádio pode ainda ser ouvida em qualquer lugar do mundo, por meio da internet, através de link especial no www.comerciodafranca.com.br. A emissora é pioneira no fornecimento da imagem do(s) locutor(es) em tempo real de transmissão on-line. Atualmente, o rádio tem muito pouco de mestre. A programação com finalidade educacional quase não existe mais. Tirando umas poucas emissoras estatais, de cunho puramente educativo, pouco se ouve na área de instrução. Antes, havia até a Rádio Relógio, que informava a hora de minuto em minuto. No intervalo de cada 60 segundos, irradiava-se informação cultural, como se fosse uma enciclopédia sonora. Quanto ao divertimento gratuito, vindo pela essência do próprio rádio, considerada também a própria decoração do veículo, a música continua sendo o carro-chefe da grade de programação da maioria das emissoras. Essa modalidade de diversão faz com que o rádio seja o grande companheiro do ouvinte, que fica até cativo dos comentários do locutor ou apresentador do programa. Aproveitando essa parceria e cumplicidade do ouvinte, bem que muitos programadores radiofônicos, principalmente da freqüência modulada (FM), poderiam aderir à moda antiga de incluir o título da música, o nome do cantor e, se possível, também do compositor, para o locutor anunciar antes ou depois da execução melódica. Isso já seria uma forma de instrução musical. Nos dias de hoje, pouca gente identifica uma música ou cantor, somente é capaz de citar ou cantarolar trechinhos desafinadamente! Por outro lado, a internet tornou a comunicação ágil e instantânea. Acima de tudo, reuniu em um só lugar o som, a escrita e a imagem (o rádio sempre representou esse trio, pois cria um universo imaginário no ouvinte), sem matar o rádio. Lá (aqui para quem está lendo on-line) pode-se navegar à vontade, para encontrar uma emissora. Basta querer e a programação mais diversificada está ao alcance de um simples clique. Antônio Araújo Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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