Roubos sucessivos, vítimas traumatizadas


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DEZ VEZES VÍTIMA - O frentista JJM, no posto em que trabalha: trauma com motos após ladrões usarem veículos para lhe roubar
DEZ VEZES VÍTIMA - O frentista JJM, no posto em que trabalha: trauma com motos após ladrões usarem veículos para lhe roubar
Domingo, 8 de dezembro. O aposentado FM, 75, estava em sua casa na Vila São Sebastião, se preparando para dormir. Por volta das 22h30, escutou um barulho, vindo da porta da cozinha. Segundos depois, era dominado por um bandido, que invadiu seu quarto e, com o travesseiro, sufocou-o, mandando ficar quieto. Tratava-se de um roubo. Ao mesmo tempo, seu filho de 50 anos, que estava no outro quarto, também estava sendo ameaçado pelo comparsa do criminoso. “Ele usou um pano com éter e sufocou meu filho, que desmaiou. Os dois queriam dinheiro. Eu fiquei sufocado com o travesseiro no rosto. Falei para o bandido “você vai matar um velho de 80 anos. Pega o que quiser e vai embora”. A história do aposentado assaltado dentro de casa na Vila São Sebastião não é a única. Ela se soma aos 481 casos de roubos registrados em Franca, entre janeiro e setembro de 2008, segundo dados da SSP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo). A simples exposição dos números pode parecer algo frio, bem diferente dos relatos de quem não se recuperou do trauma sofrido por causa dos roubos. O aposentado, que teve suas economias levadas pelos assaltantes, pouco mais de R$ 800, ao relembrar os momentos nas mãos dos bandidos, começa a tremer e diz estar com depressão. “Eu estou há mais de uma semana com medo. Não estou comendo nem dormindo direito. Quando vou dormir, parece que vejo aquela mão me sufocando. Estou até com depressão”. Hoje ele fica a maior parte do tempo trancado dentro de casa. A situação é ainda mais traumatizante para vítimas que foram atacadas várias vezes, como é o caso do frentista JJM, 37, que disse ter sido assaltado mais de dez vezes. Segundo ele, em um único mês foram três roubos. Um dos ataques que marcou o frentista foi quando dois bandidos, um deles armado com revólver, atiraram em sua direção. Na parede do estabelecimento, ele mostra o buraco deixado pela bala que passou bem perto de sua cabeça. “Quando me deito em casa, infelizmente, parece que estou vendo a cena como se estivesse acontecendo agora. Eu fico pensando: ‘Poxa (sic) hoje eu tô vivo, mas podia estar morto’”. Aqueles que optaram por ficar longe da cidade, acreditando encontrar numa chácara a paz e a tranqüilidade, hoje se cercam com altos muros, cercas elétricas e cães ferozes. O funcionário público CB, de 68 anos, bem que tentou viver a vida pacata na sua propriedade rural, mas acabou nos últimos meses se encontrando com a violência. Ele não esquece da noite do último 23 de novembro em que bandidos invadiram sua chácara, agrediram-no com coronhadas na cabeça e ainda ameaçaram matar sua mulher. A vítima havia acabado de assistir à partida de futebol do seu time do coração, quando escutou um barulho no quintal. Ao sair, foi rendido por dois bandidos que pularam o muro e roubaram dinheiro e aparelhos eletrônicos de sua casa. [FOTO2] Segundo o funcionário público, um dos marginais o agrediu com coronhadas na cabeça e apontou a arma para sua mulher, dizendo que iria matá-la. Passado o susto, agora, fica refugiado em casa sempre que anoitece. “Até então a gente ficava muito bem lá. É bem gostoso o espaço. Agora, escureceu, a gente se tranca dentro de casa e procura não sair pelo mínimo barulho no quintal. Minha mulher ficou dias sem ir na chácara, preferindo ficar com os filhos. Ela está com muito medo”, disse CB.

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