O prefeito, o pessimismo e a onda de discussão que isso gera


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Ao final do encontro, cada conselheiro recebeu um Kit Natal. O diretor-executivo do GCN, Corrêa Neves Júnior, agradeceu a valiosa colaboração que o grupo tem oferecido às atividades jornalísticas do ‘Comérci
Ao final do encontro, cada conselheiro recebeu um Kit Natal. O diretor-executivo do GCN, Corrêa Neves Júnior, agradeceu a valiosa colaboração que o grupo tem oferecido às atividades jornalísticas do ‘Comérci
O Conselho de Leitores se encontrou em 13 de dezembro para nova rodada de análise sobre as atividades jornalísticas desenvolvidas pelos veículos do Grupo Corrêa Neves de Comunicação entre 1º de novembro – data da reunião anterior – e o início de dezembro. O encontro prometia. A caixa de e-mails do Conselho, endereço disponibilizado para a troca de idéias dos conselheiros nos intervalos das reuniões ordinárias, tinha registrado 92 mensagens desde a última reunião. Dentre os assuntos mais comentados, as declarações do prefeito Sidnei Rocha sobre o "pessimismo do povo francano". O assunto foi imediatamente colocado em pauta. O Conselho se dividiu entre continuarem – ou não – o Comércio e a Difusora a utilizar espaço para fazer constar as manifestações do prefeito a respeito. A professora Camila Beghelli Schiratto bateu de sola: "Não devemos dar destaque. Não devemos bater na mesma tecla", disse, se referindo às duas vezes em que o jornal publicou tal declaração. A educadora Ana Célia de Freitas disse que "Sidnei gosta da mídia e, quando não tem nada novo para falar, repete os velhos discursos". Ainda segundo ela, "não é o caso de não divulgar, mas que seja então com um notinha bem rápida e discreta". O cirurgião-dentista Luiz Eduardo, o Duda, foi taxativo: "Por mais pessoal que seja o pensamento do prefeito, sua fala é notícia e então deve ser publicada, levada ao ar, quantas vezes for necessário". O diretor-executivo do Comércio, Corrêa Neves Júnior, concordou: "A essência do jornalismo é noticiar. Não existem boas ou más notícias. Existe apenas a notícia. Se o prefeito acha que o povo é pessimista e repete com freqüência, isso configura informação que temos que noticiar". A última reunião do ano registrou também momentos de crítica explícita a decisões editoriais do Comércio, a exemplo da não publicação de manchete específica sobre o aniversário da cidade em 28 de novembro – o conselho editorial preferiu produzir um "navegador" (recurso gráfico que se sobrepõe à manchete e onde se alocam informações relevantes), noticiando apenas ali a circulação da revista "184 anos" e a inauguração da iluminação natalina – atitude que deixou a maior parte dos conselheiros frustrada. O cirurgião-dentista Duda se exaltou. "Discutimos este assunto ano passado aqui. Apesar de termos concordado – conselheiros e editores do jornal – sobre a relevância de chamar a atenção das pessoas para o aniversário da cidade na própria data , isso voltou a acontecer". Saia-justa. A editora-chefe, Joelma Ospedal, considerou a decisão editorial "falha que temos que assumir". Marcos Donizete deu a dimensão do que a falta de destaque ao aniversário significou para ele: "Ao acordar, ainda meio com sono e ao não ver o aniversário em letras garrafais, fiquei em dúvida sobre a data e fui à folhinha conferir". Frustrou-se. Era a data. “O erro não deve acontecer mais”, decretou Júnior. As atividades jornalísticas do GCN continuaram sendo analisadas, criticadas, viradas ao avesso pelo grupo atento que tem ajudado o GCN a melhorar e a modernizar o Comércio, a Difusora, o site, o núcleo de revistas. Mais detalhes sobre o encontro, nas notas. PRESENÇAS Compareceram Camila Bertelli Schiratto, Marco Aurélio Piacesi, Marcos Donizete de Souza, Luis Eduardo Marques Ferreira (Duda), Rosa Santa Batista, Dinamar Lacerda Domiciano, Tatiane Cristina Venuto e Thaís Aparecida Machado. Sérgio Coelho Lanza, Tiago Monteiro Martins, Carlos Eduardo Gimenes de Matos e Ana Célia de Freitas justificaram ausência. Pelo GCN: Corrêa Neves Júnior, Sônia Machiavelli, Joelma Ospedal, Everton Lima, Luiz Neto. Foram apresentados aos conselheiros os repórteres Ana Catarina (nova responsável pela Insight), Rodolfo Tiengo (do núcleo de revistas) e Alex Henrique (narrador esportivo e repórter do jornal). Também, Vanessa Mazza (produtora de conteúdo de Internet) e Andréia Xavier (gestora do CEDOC - Centro de Documentação e Memória). A REVISTA ‘184 ANOS’ Duda: "Não gostei de algumas partes. Me pareceu que foi fechada às pressas". Joelma, editora-chefe da redação tomou a palavra para "explicar mas não justificar: de todas as revistas editadas, a do aniversário de Franca é a mais complexa. Por ser muito abrangente, há certa dificuldade em conferir a ela a unicidade que sempre buscamos. Na edição deste ano, um dado adicional dificultou esse trabalho. Como a idéia era publicar os textos que concorressem ao Prêmio Sônia Machiavelli de Jornalismo, não traçamos uma ‘linha mestra’, pois boa parte das matérias foi sugestão personalíssima de cada repórter. Ainda assim, entendo que fizemos uma boa revista". Camila Beghelli concordou: "Li tudo. Gostei". A CRISE "A filosofia de trabalho do GCN está correta" (Piacesi). O Conselho foi taxativo: devemos continuar prospectando as atividades econômicas e financeiras da cidade mesmo e apesar de vozes discordantes. "O leitor percebe a opinião do jornal e isso é saudável", disse Duda. Marcos afirmou que as informações sobre a crise mundial divulgadas pelo jornal e pela rádio têm servido para nortear decisões em empresas locais e regionais. "Deve-se ressaltar a determinação do GCN em produzir eventos – caso da palestra com o consultor Zdenek Pracuch, com a presença de representantes de entidades do setor coureiro-calçadista – que permitem entender de que forma a crise pode interferir no dia-a-dia da economia local. Isso é e-xercitar responsabilidade jornalística". EDUCANDO Parte do encontro discutiu uma das Gazetilhas assinadas pelo jornalista Corrêa Neves Júnior sobre o governador Serra se dedicar a ministrar aulas em escolas públicas sem prévio aviso. O assunto puxou outro. Sonia Machiavelli falou sobre os mais de 4 mil estudantes recebidos no GCN pelo programa Jornal Escola em 2008. “Estamos certos de que cada aluno que visitou o Comércio e Difusora entendeu que a leitura e a informação são determinantes para formação do cidadão de que o mundo moderno precisa”. Foi cumprimentada pela conselheira Camila, que utiliza regularmente o Comércio em sala de aula. Sonia informou que o programa deve atingir em 2009 também professores e alunos do ensino médio. AINDA A CRISE O foco, segundo a editora-chefe, Joelma Ospedal, está em "posicionar Franca em relação aos índices socioeconômicos mais importantes, como um termômetro confiável para a tomada de decisões empresariais". Marcos Donizete se disse de acordo: "O Comércio não pode abrir mão de seu compromisso em dizer as verdades que precisam ser ditas e não as `menos piores`. Jornalistas não devem inferir; só contar, e em detalhes". TRÂNSITO QUE MATA De novo – e sempre – o trânsito. A manchete "203 acidentes, 348 veículos e 244 vítimas: o saldo do trânsito de Franca em um mês" pontuou os comentários: "A formação do motorista francano é ruim, não vale nada" (Marcos); "Tenho carteira de moto, mas jamais pilotei. E acho que não posso fazê-lo por falta de experiência, mas tenho carteira e poderia sair por aí" (Dinamar); "O exame para motociclista é feito em arremedos de ruazinhas desenhadas no chão. O piloto não faz o exame nas ruas, em meio ao trânsito, como se pede a motoristas de carros" (Camila); "Ainda não me envolvi em acidentes, mas da forma com que tenho a frente de meu carro `cortada` todos os dias, uma hora vou pegar alguém" (Piacesi); "Temos conhecimento sobre pessoas que pagam e não passam por aulas adequadas, principalmente na hora de renovar carteiras" (Joelma). O grupo quer um debate duro e objetivo com as autoridades de trânsito da cidade. "Não dá mais", disse Rosa. A CRIANÇA E O ECA Júnior comentou a presença do promotor da Infância e Juventude de Franca, Augusto Soares de Arruda Neto, no GCN. “Ele ajudou a compreender de que forma o Judiciário decide com foco no Estatuto da Criança e do Adolescente. Divergimos, mas deve-se compreender sua atuação. Temos que nos adaptar aos rigores legais: e priorizar a preservação da imagem do menor infrator ou em situação de carência, por e xemplo”. “Só penso que a atuação primordial do Estado deveria se voltar para eliminar o problema do menor em risco e não punir a empresa que noticia essa situação”, disse Joelma. LEI SECA E ACESSIBILIDADE “Álcool e volante não combinam. Tem que ser radical. Se não for por bem, tem que ser na marra”, disse Rosa, concordando com o desejo do promotor Paulo Borges de restringir a venda de bebidas após uma certa hora. Além da questão do trânsito, tem também o fato de que muita gente bebe e pratica atos violentos contra a própria família ou se mete em confusão”, completou. “Tem que haver discussão sobre os dois casos”, disse Marcos sobre a Lei Seca e sobre a ocupação de áreas públicas por atividades privadas. “Lei Seca, não, liberação de calçadas, sim” (Camila). “Que as leis se cumpram, mas com eqüidade” (Piacesi). “Há empresas que agridem, invadem o espaço e não estão nem aí!” (Duda). “Pretenderam incluir e acabaram excluindo porque não debateram antes” (Thaís); “Antes da lei, deveria ter havido discussão” (Andréia Xavier). O assunto continuará em pauta nos próximos encontros do Conselho, certamente.

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