Afora a cena cinematográfica digna de Charles Chaplin, provocada pelo arremesso do sapato em direção ao presidente Bush que certamente causou muita alegria para muitos que lamentaram a péssima pontaria do atirador, temos que festejar também a contratação do jogador Ronaldo pelo Corinthians, que provocou alegria, inveja e um furacão jornalístico, fazendo-nos constatar como estamos carentes de notícias que realmente nos tragam prazer.
Acho até que o velho costume de tomar o café pela manhã lendo os jornais do dia passou a ser desaconselhável porque prejudicam o humor com que vamos enfrentar os problemas do dia-a-dia.
É verdade que a crise preocupa, mas, depois do espetacular e monstruoso derrame de dinheiro em favor dos culpados, começo a acreditar que fiz papel de bobo e que tudo não passou de um plano muito bem orquestrado para salvar os grandes conglomerados americanos, aí incluindo os bancos, da bancarrota que eles mesmos provocaram, com o mau gerenciamento dos seus negócios.
No vácuo deste furacão entraram todos aqueles que estavam com as pernas bambas e serviram como lenha na fogueira, provocando o chamado efeito dominó, quando todos queriam e pediam por socorro e que não lhes foi negado. Passada a tempestade e aos poucos diminui a pressão e a cada dia que passa sinto que tudo não passou de um belo golpe e agora, como sempre, estamos pagando a conta porque tudo aumentou menos o nível de emprego, que vem diminuindo drasticamente. Interessante é que ninguém explicou com clareza o que realmente aconteceu e quem foram os culpados.
Quanto mais dinheiro rola, mais as empresas dispensam trabalhadores e diminuem a produção. Os bancos privilegiados nesta distribuição recebem os milhões ou bilhões e nada de aplicar nas empresas para garantir produção e emprego. Para onde será que foi tanto dinheiro liberado nestes últimos meses? No meu bolso garanto que não.
Não sei não, mas alguma coisa está errada, não encaixa e até cheira mal. Dizem que os bancos estão cautelosos e com receio de emprestar dinheiro e não receberem de volta, porque falta confiança. Ora, então para que pediram? Para fazerem que nem o Tio Patinhas e sua piscina monetária? Que fechem as portas então e vão cuidar da suas vidas. A roda sempre funcionou desta maneira, ou seja, o banco empresta e a empresa ou o dono cresce e no vencimento se paga. Tudo bem, se não paga, executa-se o débito, porque está cercado de todas as garantias.
Embrenhei-me por um campo minado e do qual não tenho muitos conhecimentos, mas será que alguém deste mundão de Deus, por caridade, poderia colocar tudo em pratos limpos, explicando direitinho o que aconteceu, para onde foi tanto dinheiro, onde estão nossos postos de trabalho, e não ficarem por aí discutindo se existe ou não a crise? Queremos soluções e não reuniões de cúpula ou falácias de conferencistas que nada resolvem. Quem sabe poderíamos vender nossos sapatos para os árabes, turcos, iraquianos, judeus, muçulmanos e outros para que possam fazer tiro-ao-alvo no Bush? Fica aí a idéia.
Odorico Antônio Silva
Advogado
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