Coisas da Internet


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De julho deste ano até ontem, deixei de ganhar, aproximadamente, US$ 205 milhões de dólares. Triste, não? É o que me ofereceram de participação(?) se eu tivesse respondido a todos os 114 e-mails que recebi, durante esse período, solicitando minha ‘ajuda’ na transferência de recursos ‘perdidos’ em bancos, principalmente, africanos. Parece brincadeira, mas é coisa muito séria e, infelizmente, são muitas as pessoas em todo o mundo que caem na tentação do dinheiro fácil. Esse golpe é chamado ‘Fraude 419’, devido ao número do artigo do Código Penal da Nigéria (país de origem desse golpe) que trata deste tipo de crime (equivalente ao artigo 171 do Código Penal Brasileiro, referente ao estelionato). Funciona da seguinte maneira: a pessoa recebe um e-mail, normalmente de um funcionário graduado de algum órgão governamental africano ou de parente de algum político africano morto, e é solicitado que atue como intermediária em uma transferência internacional de fundos. O valor mencionado na mensagem normalmente corresponde a dezenas ou centenas de milhões de dólares. Pela participação nessa transação é prometida ao destinatário da mensagem uma porcentagem (normalmente alta) do valor mencionado no e-mail. Mas, ao responder à mensagem, a vitima é levada a efetuar pagamentos antecipados (“despesas” com o processo de transferência do valor em questão) e, com muita sorte, no final das contas, só terá perdido seu dinheiro. Há relatos de conseqüências muito piores: mortes, seqüestros etc. É por isso que esse golpe é conhecido também, como Advance Fee Fraud, ou ‘fraude de antecipação de pagamentos’. Já foram registrados casos originados ou que mencionavam a África do Sul, Angola, Etiópia, Libéria, Marrocos, Serra Leoa, Tanzânia, Zaire, Zimbábue, Holanda, Iugoslávia, Austrália, Inglaterra, Japão, Malásia e Taiwan, entre outros. Na verdade, não existe dinheiro algum. É um velho golpe que, segundo informam sites especializados em fraudes, vem sendo aplicado com sucesso desde a década de 1920, inicialmente por meio de cartas tradicionais, depois por fax e atualmente, por e-mail. Conforme o site ‘Crimes of Persuasion’ – www.crimes-of-persuasion.com –, os americanos e japoneses são os que mais caem. Nos Estados Unidos, este 171 nigeriano é responsável por 15% das queixas de golpes pela internet segundo levantamento da Central de Reclamações contra Fraudes na Internet, do FBI. Os golpistas começaram procurando homens de negócio, mas ampliaram o público-alvo: gente de classe média, de meia idade, profissionais liberais e funcionários de igrejas variadas, atraídos pela promessa de “grandes doações de caridade”. Bem, a Internet é um valioso instrumento da modernidade. Aproxima pessoas, culturas e facilita as trocas positivas em todo o mundo, mas é necessário que tenhamos muito cuidado com ela. Pode, também, ser instrumento de perdas irreparáveis. Quem quiser saber mais sobre esse golpe e sobre outras fraudes, pode visitar o site www.crimes-of-persuasion.com. Cassiano Pimentel Agente de exportação e professor universitário

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