O Grupo Amazonas demitiu, na tarde de ontem, 300 funcionários da empresa matriz, fabricantes de solados. Em nota oficial divulgada no início da noite, a empresa justificou a medida como “preventiva a fim de minimizar os danos da crise mundial”.
O número de demitidos representa um terço dos empregados das cinco fábricas que integram o grupo em Franca - a matriz; a Quimicam (adesivos), Componam (modelagem), Matrizam (matrizaria) e Painel (transportadora). Os trabalhadores das filiadas da Bahia, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Sul, que somam mais de mil pessoas, continuam com seus empregos.
Os diretores do Grupo Amazonas se manifestaram apenas por meio da nota enviada pela assessoria de imprensa. Procurada, a assessoria disse que “para evitar futuras perdas e manter as atividades, a empresa precisou reduzir o quadro de funcionários”. Questionada se o Grupo teve cancelados pedidos de fim de ano ou prejuízos financeiros de outros fins, a assessoria se limitou a dizer que “não foram esses os motivos (das demissões)”.
Este não é o primeiro corte no Amazonas em Franca. Desde março de 2007, o grupo vem anunciando redução nas despesas como alternativa para fugir da crise. Começou com cortes nos convênios médicos de 450 aposentados e seus familiares. Na época, um dos diretores do grupo, Saulo Pucci Bueno, afirmou que outras iniciativas estavam sendo tomadas com o objetivo de adequar os gastos à nova realidade da Amazonas, que teria uma estrutura muito maior do que o mercado comporta. Mais tarde, em maio de 2007, o grupo demitiu 168 funcionários. A justificativa, além da crise no setor calçadista, foi a saída de grandes empresas da cidade.
REESTRUTURAÇÃO
Uma das tentativas encontradas pelo Amazonas para reestruturar a empresa, em 2007, foi a contratação do ex-governador do Rio Grande do Sul, Antônio Brito, para presidir o Conselho Administrativo do Grupo. Britto, que já foi ministro e presidente da Azaléia, disse na época da posse que não tinha a intenção de reduzir o quadro de funcionários e que o plano era fazer o grupo crescer. De acordo com a assessoria do Amazonas, Britto continua no cargo.
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