Amor materno em debate


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Há algumas semanas este Comércio publicou matéria com mãe francana que pedia ajuda para visitar filha presa na África, por tráfico de drogas. De lá para cá, intenso debate entre leitores tem lugar no site do jornal, com transcrições na coluna “Cartas” da página A-2. Em foco: há barreiras para o amor materno? Não pretendo produzir aqui um tratado filosófico sobre a questão, pois me falta competência. Me parece, no entanto, que este é um debate sem vencedores. O leitor mais atento se lembrará dos pontos principais da história, publicada pelo Comércio em 26 de novembro e noticiada pela Rádio Difusora na mesma data (disponível para leitura em http://www.comerciodafranca. com.br/materia.php?id=37409): Maria Aparecida da Silva, 47, tem sua filha, Fabiana, 28, presa em Johannesburgo, capital da África do Sul, desde 2005. A moça, grávida de 4 meses na época da prisão, aceitou ingerir cápsulas contendo cocaína e traficar o entorpecente para aquele país por R$ 15 mil. Foi presa no desembarque. Em país de leis severas, Fabiana foi julgada e condenada à prisão em 2006. Teve seu bebê – que com intermediação de órgãos federais de diplomacia a avó conseguiu trazer para Franca – e um câncer diagnosticado, que a remeteu a cirurgia. De lá para cá, conversou com a mãe somente nos domingos, dois minutos cada ligação, direito concedido a presidiários naquele país. D. Maria Aparecida quer mais. Ver a filha. O texto da jornalista Renata Modesto foi pragmático. Descreveu o cenário, contou a história, ouviu a mãe, não emitiu juízo em nenhum momento. A explosão emocional dos leitores aconteceu a seguir. Personagens de outra triste história, manifestaram-se os pais do jovem advogado Rogério Tadeu de Carvalho, assassinado por bandidos que queriam lhe tomar o carro para praticar outro assalto (leia matéria publicada pelo Comércio em 12 de maio de 2006, http://www.comerciodafranca. com.br/materia.php?id=3483). O caso ganhou repercussão em todo o Estado de São Paulo e parte do País. Desaconselharam apoio à idéia de oferecer recursos a Maria Aparecida da Silva, para que fosse ver a filha (leia em http://www.comerciodafranca. com.br/materia.php?id=37603). Respeitável a decisão corajosa do casal José Tadeu e Silvia, pais de Rogério, que decidiu expor novamente a tragédia vivida pela família – podiam ter ficado calados, mas não – colocando-se publicamente contra qualquer incentivo, inclusive o materno, a uma traficante. As manifestações tornaram-se apaixonadas após a carta deles. Houve quem apoiasse Maria Aparecida, defendendo o desejo materno de saber da filha, mesmo e apesar de sabê-la culpada. Também, fortalecimentos aos pontos de vista da família Carvalho. De um certo momento em diante, foi possível observar tendência a uma terceira corrente, capaz de conduzir o assunto a uma trégua, mesmo sem solução: “Coloque(m)-se no lugar dessa mãe que quer ver a filha. Com certeza, ela desejou um futuro muito diferente para ela”. Com a devida licença do leitor Alexandre Antônio Silva Stefani, autor da frase (leia em http://www.comerciodafranca. com.br/materia.php?id=38179), refaço a pergunta para “Coloque(m)-se no lugar dessa mãe que não pode mais ver o filho. Com certeza, ela desejou um futuro muito diferente para ele”. Quem pode com certeza afirmar que compreende o que se passa no coração de uma mãe que perde um filho ou uma filha para a morte, para as drogas ou para o que quer que seja? O amor materno por sua cria chega à insanidade, se precisar. Torço para que estas mães se confortem na exata medida do que lhes for possível. Aprendi com meus pais que é preciso perdoar o pecador, mas não se deve esquecer do pecado. Então, a luta que precisa ser empreendida não é contra as pessoas... NÚMEROS A Editoria de Opinião do GCN recebe ao dia, e em média, de 80 a 100 mensagens de leitores do jornal e ouvintes da Rádio Difusora. Publico, à página A-2, também diariamente, somente 10% – ou menos – das mensagens, em função de problemas de espaço. A maior parte das “cartas” fica restrita ao site do jornal onde se desenvolve a maior parte de acalorados debates. RELAÇÃO APAIXONADA Se o leitor fizer a conta chegará a quase 3 mil mensagens por mês, demonstrativas da relação apaixonada entre o Grupo Corrêa Neves de Comunicação, seus leitores e ouvintes. Os acessos ao site ultrapassam em muito este valor mensal, a cada dia! A página 2 do jornal é, portanto, um termômetro sobre o pensamento médio da audiência dos meios de comunicação do GCN. UMA QUEIXA Levamos muito a sério ler cada uma das manifestações que chegam, sejam boas ou não tão, respeitosas ou não, críticas ou sugestivas. Também as anônimas, que não têm remetente com nome, endereço, telefone e outras, escritas por quem não tem coragem de assinar o próprio nome quando emite opinião. É minha única queixa. Falar o que vem à cabeça e não assinar é próprio de quem não deveria perder seu tempo escrevendo. E nem me fazer perder o meu, lendo. Luiz Neto Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br

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