Onze dos 111 pacientes que moram no Hospital Allan Kardec podem ser desinternados. A volta deles para as famílias ou a ida para abrigos faz parte de um projeto da Secretaria Estadual de Saúde que pretende desospitalizar 6,3 mil pacientes psiquiátricos de 56 instituições do Estado.
O processo começará em 2009 e deve ser concluído em três anos. Serão investidos R$ 15 milhões. O governo estadual ainda não divulgou os detalhes relacionados a Franca. Deverão ser feitas parcerias com as Prefeituras e com o Ministério da Saúde.
A maioria dos moradores do Allan Kardec é homem. São 67 e 44 mulheres. Eles têm entre 35 e 80 anos e foram internados no intervalo de 15 a 16 anos atrás por terem psicoses e retardo mental.
“Os 11 pacientes têm vínculo familiar e poderiam voltar a viver com os parentes. Os demais são bastante envelhecidos e não têm condições de sair”, disse a assistente social Lázara Bastista.
Ela é a favor da desospitalização. “Ela traz o paciente à sua vida cível, no seio familiar, mas para que seja bem sucedida, os municípios precisam dar suporte a eles. Acredito que o hospital psiquiátrico é mais para tratar nos períodos de surtos”.
Maria José da Silva, 53, faz parte do grupo que pode deixar o hospital. Ela mora no Allan Kardec há 16 anos e não deseja deixar a instituição. “Aqui se tornou meu lar, minha família. Eu me acostumei tanto. Lá fora eu bebia, não dormia, tinha uma vida desregrada. Aqui tem medicação, alimento e banho na hora certa”. Segundo Lázara, muitos pacientes não querem voltar para as famílias. Eles estão passando por um processo de convencimento.
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