A magia de um café centenário em Buenos Aires


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História e tradição - Vista geral do salão principal do Café Tortoni, fundado em 1858 por um imigrante francês de nome Touan e que, a partir daí, construiu uma história intimamente ligada à soc
História e tradição - Vista geral do salão principal do Café Tortoni, fundado em 1858 por um imigrante francês de nome Touan e que, a partir daí, construiu uma história intimamente ligada à soc
Avenida de Mayo, Buenos Aires. O endereço do Café Tortoni é a porta de entrada para um mundo que lembra a boemia do final do século 19. Boa comida, ambiente agradável, música e arte convivem no mesmo espaço há exatos 150 anos. Por lá passaram poetas, os maiores representantes do tango argentino, políticos e personalidades. Tudo marcado por imagens nas paredes do prédio. Hoje é ponto obrigatório para qualquer turista, especialmente os brasileiros, pois o lugar é uma aula de como manter viva a história e seus personagens. A entrada no Café Tortoni já é triunfal. Recebido por funcionários do local do lado de fora do prédio, o turista é colocado em uma ante-sala à espera de uma mesa. Neste momento é como deixar para trás o mundo que conhecemos. Se estiver chovendo (e forte), melhor, pois o local não estará superlotado. O alarido que vem das mesas cheias de jovens, senhores, idosos, turistas, todos conversando alegremente e em várias línguas, é convidativo. Mas a visão do salão principal faz pulsar quem se apega à tradição e história de um lugar, uma época. A importância do mais antigo café da Argentina é vista em cada pedaço. Doze colunas atravessam e sustentam o lugar, cinco castiçais iluminam o ambiente, espelhos dão charme às paredes, o teto possui lindos vitrais. Até a máquina registradora, pintada em cores alegres e com um “C” e um “T” (Café Tortoni) estilizados, virou um ícone. Por toda a parte podem ser vistas esculturas de nomes famosos ligados à cultura e que se sentaram para saborear as atrações do café. Pinturas, são muitas. Antes mesmo que o turista possa se recuperar da surpresa com a beleza do lugar, o garçom mostra uma mesa disponível. Mas é obrigatório continuar explorando o ambiente. A caminho do fim do salão, novas descobertas, novos quadros, novos personagens. À direita, ao fundo, três bonecos que parecem de cera. O “tangueiro” Carlos Gardel, o escritor José Luís Borges e a poetisa nascida na Suíça, mas radicada na Argentina, Alfonsina Storni, “estão ali, sentados, conversando”. Eles são ideais para uma fotografia que imortalize a visita. Espalhados pelo café, há armários com livros que contam a própria história do Café Tortoni e como seus visitantes se encantaram ao longo dos anos com o que é descrito como o lugar perfeito para quem deseja viver a amizade e a magia da noite portenha. Como em qualquer (bom) lugar da Argentina, há um show de tango que deve ser pago à parte - o preço é 70 pesos por pessoa (R$ 48). O som de La Cumparsita, Caminito, Por Una Cabeza “aparece”, a princípio, de uma sala que não se sabe onde está. Rapidamente, percebe-se que vem do “La Bodega”. É o porão. Chegar lá é uma aventura principalmente para as mulheres e seus saltos altos. A escadinha estreita e íngreme dá acesso a outro amplo salão. Pouco iluminado, abriga cerca de 50 pessoas para um show que coloca dançarinos e músicos bem mais próximos do que nos grandes teatros como o Sr. Tango. Dá para sentir a força do espetáculo, dos passos e acordes daqueles que mantêm viva a tradição do tango. E o cardápio? Este fica para quem fez esta viagem se lembrar ou então para aquele que pretende descobrir como é comer um simples pãozinho no Café Tortoni. Ah, mas não deixe de experimentar a Pizza Con Morro, o especial de lomo e o bife de chorizo com ensa- ladas.

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