‘Estamos sendo exterminados’


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Senhor Editor. Iara Batista, uma colega escrivã de polícia na capital paulista, escreveu sobre a situação do funcionalismo público estadual que atua na Polícia Civil. O texto é relevante e gostaria de vê-lo publicado. Tenho a autorização dela para fazê-lo: “Estamos diante de um impasse. O governo do PSDB alega que se for cumprir a constituição – o que implica corrigir salários todos os anos, o Estado não terá recursos para investir em mais nada, pois tudo o que arrecadar irá para folha de pagamento. Também com base no mesmo discurso, o governo fez com que a fila de precatórios alimentícios passasse dos dez anos! Tudo muito grave, pois o governo está dizendo que, na prática, a constituição não pode ser cumprida. Como chegamos a isso? Será que a redação da Constituição foi feita por loucos irresponsáveis? Quando um país não respeita sua Carta Magna só pode estar ocorrendo uma, de duas situações: ou existe uma ditadura ou o país está em colapso. É preciso perguntar: se a situação chega ao que se diz, o que se deve fazer? Cortar gastos supérfluos, claro! Se a situação fosse em nossas casas, cortaríamos então TV a cabo, o cinema do fim de semana, roupas de grife etc. Ficaríamos só com o essencial, luz, condomínio, água, telefone, remédios, vestuário, alimentação. Mas não é isso que observamos na esfera política. A corrupção inviabiliza o Brasil. O desvio de dinheiro público chega a bilhões! Chegamos ao cúmulo de ouvirmos, do presidente da República, em entrevista concedida na França, que “caixa 2 é normal”. Em qualquer lugar do mundo isso seria suficiente para que o mesmo renunciasse ou para um impedimento, mas no Brasil, não. No Brasil existem leis que pegam e que não pegam. Na essência, a questão é: precisamos de 90 deputados? Precisamos de cargos de confiança? Precisamos de vereadores? Para que servem deputados e vereadores que votam exatamente no que o governo ou os prefeitos querem? Isso é democracia? Nosso problema é a classe política que atenta contra o povo e contra o País. Nós, policiais civis, trabalhamos de verdade, prestamos concurso. E eles? Vislumbramos um horizonte negro à nossa frente. A tendência é jogar a culpa para cima de quem não pode se defender. Quem gritar mais e fizer mais barulho poderá se safar do holocausto que os políticos estão preparando para o funcionalismo público e para os aposentados. Temos que lutar. De forma contrária, teremos que começar a pensar em mudar de carreira nesta altura de nossas vidas. Temos que conscientizar cada colega, politizá-los e fazê-los entender que estamos sendo literalmente exterminados...”. Alexandre Comodaro Bueno Franca - SP

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