Juri absolve réu confesso de assassinato


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NA CENA DO CRIME - Policiais militares observam o corpo de Gilmar Vilela
NA CENA DO CRIME - Policiais militares observam o corpo de Gilmar Vilela
O Tribunal do Juri absolveu ontem três rapazes que confessaram ter matado o desempregado Gilmar Vilela em agosto de 2006. A alegação de seus advogados é que o crime ocorreu motivado por legítima defesa. Gilmar era acusado de estuprar a mãe e matar o padrasto de um deles. A intenção do trio seria se vingar, “passando um susto” no desafeto. Mas, por achar que Gilmar estivesse armado, acabaram o matando a facadas. Como não houve flagrante, os acusados responderam a todo o processo em liberdade. Foram julgados MLS, 24, apontado como mentor e autor do assassinato, e dois amigos seus, JAS,22, e CSD,22, acusados de terem ajudado no crime. Um quarto jovem chegou a ser denunciado, mas durante o processo foi provado que ele não teve participação no homicídio. O julgamento, presidido pelo juiz José Rodrigues Arimatéa e realizado no fórum “Alberto de Azevedo”, foi rápido. Começou por volta das 9 horas e às 12h17 o veredicto já havia sido informado aos réus. Foram ouvidas três testemunhas da defesa e os próprios acusados. A defesa alegou que os rapazes queriam dar uma lição na vítima e não matá-la. Ao ser abordado, Gilmar teria colocado a mão dentro da calça, onde havia uma lata de metal. Os acusados pensaram que se tratava de uma arma e acabaram por matar o desempregado. O primeiro a testemunhar foi um jovem que teria sido abusado sexualmente por Gilmar ainda quando criança. Depois, foi a vez de ZMS, mãe de MLS, que narrou o drama que teria vivido nas mãos de Gilmar, que teria matado seu namorado, o industrial Francisco de Assis Tótoli, e a estuprado. Além destes crimes, o desempregado era suspeito do homicídio do aposentado Sebastião de Oliveira, 77, em julho de 2006. Após ZMS, uma mulher de 75 anos afirmou que Gilmar tentou matá-la. Ele teria colocado um facão em seu pescoço e chegado a cortar parte de alguns de seus dedos. Ela exibiu aos jurados as marcas deixadas. A mulher demonstrava medo e chegou a questionar se Gilmar estava de fato morto, pois caso não estivesse ela não daria seu depoimento. Para a advogada de dois dos três acusados, Ivonete Aparecida Rodrigues Tosta, as histórias das testemunhas foram fundamentais para a absolvição dos acusados. O outro advogado de defesa, Fábio Blangis, disse, após o julgamento, que a morte de Gilmar foi um alívio para a sociedade. “A gente entende o lado humano da vítima, mas por outro lado acredito que a sociedade ficou um pouco melhor com a morte deste rapaz”, disse ele. O promotor de Justiça que fez as acusações aos rapazes, Odilon Nery Comodaro, afirmou que não vai recorrer da decisão do juri. Ele havia pedido a condenação de MLS por homicídio privilegiado (de natureza emocional) e dos demais por participação de menor importância, todos com penas próximas a quatro anos de reclusão em regime aberto. “Eu creio que o julgamento foi justo: a acusação apresentou uma tese, a defesa outra. Os jurados tinham que escolher uma delas. Escolheram a da defesa, que não contraria aquilo que consta no processo”, disse. O CASO A história que terminou com a morte de Gilmar começou quando ZMS procurou o Plantão Policial, no dia 12 de agosto de 2006. A mulher se apresentou como namorada de Francisco Tótoli, assassinado na madrugada daquele dia. ZMS disse que estava com Francisco em um carro diante de sua casa, no Jardim Paulista, quando um homem armado de facão os rendeu. O desconhecido os teria levado até uma estrada de terra, na região do Paiolzinho, e matado o industrial. Na seqüência, foi levada no carro até Claraval (MG), onde foi estuprada. [FOTO2] A identificação de Gilmar foi feita por ZMS pelos álbuns de fotos da Polícia Civil. Seu filho, MLS, teria, no mesmo dia, junto com dois amigos, encontrado o desempregado no Jardim Brasilândia. Gilmar teria sido colocado no interior de um Chevette branco. De lá, seguiram para um cafezal às margens da Rodovia Felipe Calixto, que liga Franca a Ribeirão Corrente, onde Gilmar foi assassinado. Seu corpo foi encontrado com sinais de agressão e facadas, três dias depois, por familiares.

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