Está se aproximando mais um Natal. Franca vai ficando mais bonita, as pessoas correm para comprar os presentes, o comércio se anima com o aquecimento nas vendas, enfim, tudo se torna mais diferente e bonito no mês de dezembro.
As luzes da cidade brilham alumiando caminhos e festejando relacionamentos às vezes até esquecidos ou escondidos nas muralhas do medo. Nenhuma outra época do ano é tão carregada de simbolismos como esta que estamos vivenciando. Tempo em que o consciente coletivo torna-se impregnado pelo espírito natalino. Papai Noel está chegando com tudo. Para alguns, literalmente, de saco cheio. Para outros, aquele saco vazio que, bem sabemos, não se agüenta em pé.
Permito-me fazer breve reflexão sobre esta data que se comemora na próxima semana e sobre este festivo momento na vida de todos nós. Natal, nascimento, lembra-nos a infância, a fase de criança, esse período fundamentalmente básico da vida, quando nada tinha de excepcional, mas existia a pureza de nossos avós e pais, a família unida, e a alegria de enfeitar a casa para esperar o Papai Noel.
Os tempos passam, as ilusões se perdem, mas a magia fica. E faz renascer dentro de nós um turbilhão de esperanças. Qual a criança que não passa o ano ansiosa para que chegue o Natal e com ele o Papai Noel com os brinquedos, uma fantasia que não faz mal nenhum alimentar? No entanto, devemos refletir sobre a triste realidade. Nem todas as crianças são iguais. As diferenças são imensas e profundas.
Há uma criança que ri, enquanto muitas choram; há uma criança que ganha brinquedos, enquanto muitas nada recebem; há uma criança que tem farta ceia de Natal, enquanto muitas não têm sequer um pão; há uma criança que tem leito para dormir, enquanto muitas dormem ao relento; há uma criança recebendo beijos dos pais, enquanto muitas desconhecem seus pais.
Não quero com isso gerar crise de consciência e tornar amarga a festa de ninguém. Não é isso. Ao mostrar essa triste realidade que, em face da desigualdade não atinge a todos, a minha intenção é que, nós que não somos afetados por ela, agradeçamos a Deus, o Deus de cada um, o Deus de cada crença, porque podemos ver nossas crianças sorrir, ganhar brinquedos, cear bem, dormir em seu leito, recebendo nossos beijos.
Cada Natal tem a graça de um bebê que nasce, a alegria de mãe que dá à luz, a ternura de pai que acolhe. A família se recria e o amor se revigora. E tudo é tão intensamente belo que não basta um dia. Para mim, o Natal acontece todos os dias, por isso eu sou uma criança o ano inteiro. E ninguém melhor do que as crianças para saber inventar a felicidade.
Devemos pedir a Deus que dê a todas as crianças o direito de sorrir, ganhar brinquedos, cear bem, ter leito para dormir e pais para beijá-los. Aí o Natal será realmente festa de todos.
SUFOCO
Nada mais terrível do que ir às compras neste período do ano. Aonde quer que se vá está lotado. O atendimento nas lojas torna-se uma verdadeira via-crúcis. É gente saindo pelo ladrão. Diante de tanto sufoco é impossível ter serenidade para escolher o que se deseja comprar. Se na verdade todas aquelas pessoas saem de casa dispostas a consumir, o comércio deve estar faturando os tubos.
NA ORIGEM
Quando teve início o período das vacas magras, lá pelos anos 80, muitas donas de casa adotaram o hábito de desdobrar os produtos líquidos de limpeza. Desse modo o conteúdo de um detergente ou desinfetante, adicionado à água, se transformava em dois. Hoje em dia isto já não é mais possível, porque já vem de fábrica.
ATENÇÃO
Os poupadores que foram lesados pelos planos econômicos adotados no início de 1989 têm prazo até 31 de dezembro para requererem as perdas e reaverem a correção monetária. A partir do último dia do ano, os direitos estarão inapelavelmente prescritos.
NEGATIVO
Até onde vai a criatividade de nossos políticos: esse projeto de proibir a demissão de marido de mulher grávida ultrapassou todos os limites. Logo no Brasil onde o povo é pra lá de folgado, coitadas das mulheres de quem estiver perigando perder o emprego, sequer poderão ter uma dor de cabeça. Vão ter de estar sempre a postos. O certo seria criar uma lei que proibisse a mulher de marido desempregado ficar grávida. O governo tem mais é que estimular o controle da natalidade, isto sim.
POSITIVO
Uma das maiores fábricas de lingerie do País renovou o estoque de calcinhas amarelas, totalmente esgotado para a venda de fim de ano. A busca é atribuída à crise, pois o amarelo é a cor associada ao dinheiro. No começo deste mês, 100 mil peças amarelas ‘voaram’ das lojas. A fábrica planeja colocar no mercado o dobro de calcinhas amarelas para a virada do ano. Faz medo é a crise aumentar e muita gente boa ficar de calças na mão...
GUERRA É GUERRA
Depois de dez anos no Kuwait, o repórter norte-americano notou que as mulheres - que antigamente caminhavam sempre meio metro atrás dos maridos - tinham passado a caminhar pelo menos cinco metros à frente. Imaginou que essa seria uma vitória da influência estadunidense, finalmente. Intrigado, perguntou a uma kuwaitiana o porquê desta formidável mudança de comportamento:
- Minas terrestres!, respondeu ela, secamente.
Edward de Souza
Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br
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