Crise freia vendas extras na indústria calçadista


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DIMINUINDO O RITMO - Foto mostra produção da Calçados Teeny Wee. Fábrica projetou vender 10% a mais no Natal, mas por conta da retração dos lojistas, não atingiu meta
DIMINUINDO O RITMO - Foto mostra produção da Calçados Teeny Wee. Fábrica projetou vender 10% a mais no Natal, mas por conta da retração dos lojistas, não atingiu meta
Acostumados a fechar dezembro comemorando um crescimento entre 15% e 30% no volume de negócios, os calçadistas francanos, neste ano, passarão a virada para 2009 bem mais contidos. O tão esperado aumento nas vendas provocado pelo Natal e Ano Novo não veio. A crise financeira internacional, segundo os próprios empresários, deixou lojistas cautelosos, com receio de que os consumidores não aparecessem e os produtos ficassem encalhados. Resultado: compraram menos. Com isso, boa parte das indústrias teve de contentar-se em manter a produção que vinha obtendo ao longo do ano. O Comércio ouviu 11 empresários que, ao contrário do que esperavam, não viram seus ganhos subirem neste fim de ano. No último trimestre de 2008, os negócios da Opananken encolheram até 10%, em relação ao ano passado. A empresa não alcançou a meta estipulada de vender entre 25% e 30% mais do que produz ao longo do ano (20 mil pares/mês). Sebastião Siqueira, gerente comercial, atribuiu a baixa justamente à retenção de consumo. “O consumidor está apreensivo em perder o emprego e deixa de consumir. Com isso, o lojista segurou as compras e nós tivemos que segurar a produção”. Outra empresa que projetou vender mais e não conseguiu foi a Calçados Tenny Wee. A fábrica vinha em ritmo de crescimento até setembro, mês em que a crise começou a bater à porta das indústrias. Foi quando a diretoria parou e reformulou os planos para o último trimestre. Com projeção inicial de vender 10% mais que 2007, a meta passou a ser a mesma do ano anterior. “Conseguimos igualar as vendas com as do ano passado. Não estamos fechando em queda, porém, não mantivemos o crescimento”, disse João Paulo Narciso, gerente de marketing. Ele não revelou quanto a empresa fabricou no ano passado. Apesar do “empate” produtivo em relação a 2007 e a consolidação das vendas de Natal antes da repercussão da crise mundial, a diretoria da Calçados Sândalo teve outra dor de cabeça: o cancelamento de 3 mil pares pedidos. O número representa 2% das vendas concretizadas para novembro e dezembro. “É muito. Vendi 150 mil pares. São, pelo menos, R$ 200 mil que iriam entrar e não entraram”, disse o diretor Téti Brigagão. SEM SURPRESAS Com uma estratégia de trabalho diferenciada, o empresário Carlos Antônio Barbosa, diretor da D’Milton Calçados, ao contrário dos demais calçadistas, não teve preocupação em vender mais no final de ano. A empresa não faz projeções sazonais de vendas há pelo menos três anos. A meta é produzir mil pares dia independente do período. Por conta disso, Barbosa avalia as negociações de final de ano como muito boas. “Cumprimos nossa meta”.

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