O Sindicato dos Sapateiros de Franca quer negociar com a diretoria da Calçados Agabê uma fatia do valor que a empresa obteve com a venda - entre outubro e novembro - de um dos galpões do prédio da Avenida Doutor Ismael Alonso y Alonso para o pagamento dos 500 funcionários demitidos no início do ano.
De acordo com o sindicato, a negociação teria rendido à empresa mais de R$ 4,5 milhões. Quase a metade desse valor, R$ 2,4 milhões, teria sido usada para pagar um empréstimo bancário; outros R$ 400 mil destinados ao pagamento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) dos ex-funcionários, além de uma folha de pagamento dos trabalhadores de Aracati (CE), onde está centralizada, hoje, sua produção. A Agabê não confirma tais números.
Pelos cálculos do presidente do sindicato, Paulo Afonso Ribeiro, a empresa teria ainda uma sobra de R$ 1,8 milhão, que entrariam em caixa em dez parcelas de R$ 180 mil. É justamente esse valor que o sindicato quer que a empresa destine para pagar as rescisões contratuais dos funcionários, que chegariam, segundo Ribeiro, a R$ 2 milhões.
O sindicalista reclama que não consegue marcar uma reunião com a diretoria da Agabê para discutir o assunto. Mais uma tentativa teria sido feita ontem, junto ao Conselho Arbitral do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Franca). A expectativa é de que haja uma resposta ainda hoje.
“Estamos aguardando o posicionamento do Miguel (Betarello, presidente), que é quem manda no negócio, para nos dizer como fica a situação dos trabalhadores”, disse Paulo.
Caso não tenha a solicitação atendida espontaneamente pela Agabê, os trabalhadores terão de esperar um posicionamento da Justiça quanto ao pedido de recuperação feito pela empresa (leia mais em texto ao lado). O parecer do Judiciário está previsto para abril de 2009.
OUTRO LADO
O presidente da Agabê, Miguel Heitor Betarello, não estava em Franca ontem e atendeu à reportagem pelo seu telefone celular. Foi breve nas respostas. Confirmou que vendeu um dos galpões, mas não revelou quem seria o comprador, o valor e o destino do dinheiro. Quando questionado sobre a reivindicação do sindicato, atribuiu ao administrador judicial, Ernesto Volpe, a função de esclarecer o assunto. “É ele quem cuida de toda a parte do acerto dos funcionários”, disse.
Volpe foi procurado em seu escritório por duas vezes na tarde de ontem, mas a informação, nas duas tentativas, foi de que ele não estava. O administrador não respondeu aos recados deixados.
O advogado da Agabê, Reginaldo Sthephanelli, também tem sido procurado, insistentemente, há duas semanas pelo Comércio para falar sobre a atual situação da empresa, mas alega sempre que está em reunião ou no trânsito e não se pronuncia.
Ontem foi procurado por cinco vezes no período da tarde, sempre em seu telefone celular. Atendeu à primeira ligação e, mais uma vez, pediu um tempo para falar se dispondo a retornar a chamada. Não o fez até o início da tarde. Novos contatos foram tentados, mas as chamadas não foram atendidas até as 19h30 de ontem.
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